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Aécio Neves e Joaquim Barbosa tentam ressuscitar a terceira via

Partidos e políticos que andavam distantes dos holofotes nas eleições majoritárias deste ano reapareceram na tentativa de ocupar o espaço da terceira via, movimento que procura se apresentar como uma alternativa à polarização entre Lula (PT) e a família Bolsonaro. Os casos mais emblemáticos são os do deputado federal mineiro Aécio Neves (PSDB) e do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa (DC), que nunca concorreu a cargos públicos.

Em entrevista ao portal UOL e ao jornal Folha de S. Paulo na noite desta segunda-feira (25), Aécio se colocou como um nome da oposição na tentativa de impedir a reeleição do presidente Lula com os votos do centro e da direita. “Volto a acreditar que nós não estaremos fadados a conviver nesse país com essa dualidade tão rasa, pobre, violenta, que não nos levará a lugar algum. Nenhum desses dois extremos levará o Brasil para onde precisa”, afirmou.

Na última sexta-feira (22), a pré-candidatura de Aécio foi aprovada por unanimidade pela executiva nacional do Cidadania, partido que integra a federação formada com o PSDB e o Solidariedade para as eleições deste ano. “Uma pré-candidatura à Presidência do Brasil, como a de Aécio Neves, pode representar, justamente, essa busca por um caminho de ponderação, de experiência e de compromisso com o futuro do país”, declarou o pré-candidato tucano ao governo de São Paulo, Paulo Serra, presidente paulista do PSDB. 

No final de semana, a executiva do diretório tucano em Goiás — berço político do ex-presidente nacional do PSDB Marconi Perillo — já havia declarado apoio a uma eventual nova aventura presidencial de Aécio neste ano. É a segunda tentativa tucana de viabilizar um nome para recolocar o PSDB na corrida presidencial: Ciro Gomes foi cotado pelo próprio Aécio, atual cacique da sigla no país, mas o cearense optou pela pré-candidatura ao governo estadual na tentativa de voltar a comandar o Ceará.

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Terceira via não mostra força desde as eleições de 2014 

Investigado em 2017 nos desdobramentos da operação Lava Jato pelo suposto pedido de R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, dono da JBS, Aécio foi isentado de todas as acusações na Justiça e pode disputar a Presidência da República pela segunda vez.

Ele foi candidato em 2014 e saiu derrotado no segundo turno para a então presidente Dilma Rousseff (PT). O pleito presidencial daquele ano foi o último em que o PSDB dominou o papel de opositor direto ao PT, protagonismo assumido por Jair Bolsonaro a partir das eleições de 2018.

A eleição presidencial de 2014 também foi a última em que a terceira via apresentou um nome que ameaçou “furar” a polarização da direita contra o PT. A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) se filiou ao PSB para ser candidata a vice-presidente na chapa encabeçada pelo ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos. Com a morte dele em um acidente aéreo durante a campanha, ela assumiu a candidatura e teve mais de 20% dos votos válidos no primeiro turno. 

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Outro nome que ganhou tração é o de Joaquim Barbosa. Na semana passada, o Democracia Cristã (DC) oficializou a troca do pré-candidato à Presidência do partido: foi tirado da disputa Aldo Rebelo, que fez a maior parte da sua carreira política no PCdoB, e colocado o nome do ex-ministro do STF. A mudança foi anunciada pelo presidente nacional da legenda, João Caldas.

Sem ser consultado e contrariado em ser preterido, Rebelo partiu para o ataque contra a direção da própria legenda e disse que vai manter a pré-campanha presidencial. Com a recusa de Rebelo, a direção nacional do DC decidiu abrir um processo de expulsão contra ele. 

Até esta terça-feira (26), porém, Barbosa não havia confirmado a intenção de ser candidato. O ex-ministro, relator do escândalo do Mensalão petista no STF, também já foi filiado ao PSB e chegou a ser citado em 2018 como possível candidato à Presidência da República, mas a articulação não avançou.

Assim como o PSDB de Aécio Neves, o DC procura se apresentar como uma alternativa a Lula e ao pré-candidato a presidente do PL, Flávio Bolsonaro. Na última sexta-feira, um vídeo produzido com inteligência artificial foi divulgado pelo DC, nas redes sociais, com Joaquim Barbosa como pré-candidato nas eleições de 2026. Na animação, Barbosa, com a capa preta de ministro do STF, aparece caminhando diante de televisores que exibem notícias sobre suspeitas contra Lula e Flávio Bolsonaro.

O nome de Barbosa foi testado pela pesquisa do instituto Nexus, em parceria com o Banco BTG Pactual, divulgada nesta segunda-feira (25). Em dois cenários estimulados de primeiro turno, Barbosa teve a preferência de 2% e de 3% dos entrevistados.

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Terceira via é articulada na política, mas não empolga o eleitorado 

Na avaliação do economista e estrategista eleitoral Luis Carlos Burbano Zambrano, o vazamento do áudio de Flávio a Vorcaro abriu brechas para candidatos alternativos, mas ainda não produziu uma terceira via viável. Mesmo no campo político da direita e da centro-direita, os presidenciáveis Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (PSD-GO) não conseguiram pegar uma carona no episódio para impulsionar as pré-candidaturas.

Na pesquisa estimulada da Nexus/BTG, Zema não ultrapassou 4% das intenções de voto no primeiro turno e Caiado atingiu 5%. “O obstáculo principal permanece no campo eleitoral: até agora, nenhuma alternativa demonstrou capacidade de transformar o desgaste de Flávio Bolsonaro em voto positivo”, afirma Zambrano.

Segundo ele, a possibilidade de ressuscitar a terceira via deve ser avaliada em quatro campos: opinião pública, sustentação econômica, político-partidário e político-eleitoral.

“Nos três primeiros, a crise cria oportunidades reais para questionar a candidatura de Flávio e testar alternativas. No último, porém, existe um limite. A eleição continua organizada por uma forte polarização entre Lula e os apoiadores de Bolsonaro. Assim, a terceira via voltou ao vocabulário da política, mas ainda não voltou ao centro do eleitorado”, avalia. 

  • Metodologia da pesquisa: 2.045 entrevistados pelo instituto Nexus entre os dias 22 e 24 de maio de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Banco BTG Pactual. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE nº BR-04193/2026.

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