
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro busca estender para dez anos o prazo de devolução de R$ 40 bilhões em sua proposta de delação premiada. A estratégia, vista com desconfiança por investigadores, visa ganhar tempo para buscar nulidades jurídicas que possam anular o processo no STF e reaver os valores.
Qual é a principal estratégia da defesa de Daniel Vorcaro?
A defesa propôs pagar R$ 40 bilhões de ressarcimento aos cofres públicos em um prazo de dez anos. Especialistas e autoridades acreditam que esse parcelamento longo serve para que, ao longo do tempo, os advogados tentem encontrar erros técnicos no processo (as chamadas nulidades). Se a Justiça anular as decisões futuramente, Vorcaro poderia parar de pagar as parcelas e até tentar recuperar o que já foi entregue ao governo.
Por que a Polícia Federal rejeitou a delação do ex-banqueiro?
A Polícia Federal concluiu que o conteúdo oferecido por Vorcaro era superficial e não trazia informações novas. Os investigadores já possuem provas robustas obtidas em sete fases da Operação Compliance Zero, incluindo quebras de sigilo e perícias em celulares. Para a PF, os fatos revelados ficaram ‘muito aquém’ do necessário para garantir os benefícios de uma colaboração premiada.
Existe um conflito entre a defesa de Vorcaro e o ministro André Mendonça?
Sim, houve um desgaste público. O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, exige uma delação ampla e sem proteção a políticos. Em resposta, o antigo advogado de Vorcaro teria sugerido que buscaria a Segunda Turma do STF para tentar validar o acordo por maioria de votos, o que foi interpretado como uma pressão sobre o ministro. Após o episódio, Mendonça encerrou diálogos privados com a defesa.
Qual é a posição da Procuradoria-Geral da República sobre o caso?
Diferente da PF, a PGR ainda mantém uma porta aberta para negociações. O órgão indicou que aceitaria o acordo se Vorcaro aumentasse o valor do ressarcimento para R$ 60 bilhões e fizesse o pagamento de forma imediata, em vez de parcelada. No momento, a PGR segue analisando materiais complementares enviados pela equipe do ex-banqueiro antes de dar um parecer final.
Como a situação familiar influencia as decisões de Vorcaro?
A pressão sobre o ex-banqueiro aumentou significativamente após as prisões de seu pai, Henrique Vorcaro, de seu cunhado e de um primo. Na última semana, o STF manteve o pai e o primo presos, o que é visto por analistas como um fator decisivo para forçar Vorcaro a entregar provas mais consistentes contra figuras influentes para tentar livrar seus parentes da prisão.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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