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OpenAI, dona do ChatGPT, entra com pedido de IPO; empresa pode valer US$ 1 trilhão


Logo da OpenAI, dona do ChatGPT
REUTERS/Dado Ruvic/
A OpenAI, criadora do ChatGPT, protocolou confidencialmente nesta segunda-feira (8) um pedido para uma oferta pública inicial de ações (IPO) nos Estados Unidos, juntando-se à rival Anthropic em uma corrida rumo ao mercado de ações, enquanto investidores buscam exposição ao boom da inteligência artificial.
A OpenAI não divulgou o tamanho nem os termos da oferta, mas a Reuters informou que a gigante da IA mira uma avaliação de até US$ 1 trilhão em uma estreia na bolsa que pode acontecer já em setembro.
Nessa avaliação, a OpenAI abriria caminho para um trio de empresas estreando rapidamente com valor de mercado na casa do trilhão de dólares e é vista como o teste mais importante do apetite dos investidores por ações de tecnologia de alto crescimento na última década.
A SpaceX, de Elon Musk, foi a primeira a largar na frente, protocolando um pedido de IPO que seria o maior da história, caso seja concluído, com a empresa buscando uma oferta de US$ 75 bilhões a uma avaliação de US$ 1,75 trilhão.
Nos mercados de previsão, onde participantes apostam no resultado de eventos futuros, a maioria esperava que a OpenAI protocolasse seu pedido de IPO antes da Anthropic.
A era da IA
Os IPOs da Anthropic e da OpenAI consolidariam um período transformador para a indústria de tecnologia e para os mercados globais, com a inteligência artificial emergindo rapidamente como o principal tema de investimento da década.
A OpenAI informou anteriormente neste ano que estava captando US$ 110 bilhões a uma avaliação de US$ 840 bilhões, com apoio de grandes investidores, incluindo SoftBank, Amazon e Nvidia.
Na ocasião, também revelou que o ChatGPT tinha mais de 900 milhões de usuários ativos semanais e mais de 50 milhões de assinantes consumidores.
O pedido de IPO ocorre após a OpenAI renegociar sua parceria com a Microsoft, uma de suas primeiras investidoras, permitindo que a pioneira em IA firmasse novas parcerias com empresas como Amazon.com e a unidade Google, da Alphabet.
O investimento inicial da fabricante do Windows, que totaliza US$ 13 bilhões desde 2019, ajudou a pavimentar o caminho para a rápida ascensão da OpenAI e impulsionou o crescimento do negócio de computação em nuvem Azure.
Em março, a OpenAI afirmou estar gerando US$ 2 bilhões em receita mensal e crescendo aproximadamente quatro vezes mais rápido do que empresas que definiram as eras da internet e da mobilidade, incluindo Alphabet e Meta.
Isso se compara a cerca de US$ 1 bilhão em receita trimestral no final de 2024.
Concorrentes ganham força
Ainda assim, a indústria que a OpenAI ajudou a criar rapidamente se tornou mais competitiva, com empresas como a Anthropic correndo para desafiar sua liderança, enquanto investidores avaliam se o crescimento meteórico do setor de IA pode ser sustentado.
A Anthropic emergiu como uma das principais rivais, com sua IA Claude registrando forte demanda entre desenvolvedores de software para tarefas de programação, e algumas empresas utilizando seu modelo mais avançado, Mythos, para identificar vulnerabilidades em seus códigos.
A empresa por trás do popular assistente de programação Claude Code protocolou confidencialmente nesta segunda-feira um pedido para uma oferta pública inicial nos Estados Unidos, poucas semanas após captar US$ 65 bilhões em uma rodada de financiamento que a avaliou em US$ 965 bilhões.
Embora essas ofertas de grande porte possam trazer novo impulso ao mercado de IPOs dos Estados Unidos, alguns banqueiros alertam que elas também podem absorver capital que, de outra forma, seria direcionado a operações menores.
Altman contra Musk
A OpenAI foi fundada em 2015 como uma organização sem fins lucrativos focada em pesquisa, mas criou uma divisão com fins lucrativos quatro anos depois para ajudar a financiar os crescentes custos do desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial.
Sua estrutura incomum, que concedia à entidade sem fins lucrativos o controle sobre a organização lucrativa, passou por intenso escrutínio no final de 2023, quando o CEO Sam Altman foi brevemente afastado do cargo antes de retornar dias depois, após uma revolta dos funcionários.
Em dezembro de 2024, a OpenAI revelou planos para reformular sua estrutura por meio da criação de uma corporação de benefício público, afirmando que a mudança ajudaria a captar muito mais capital e a flexibilizar restrições impostas por sua controladora sem fins lucrativos.
A reformulação rapidamente se tornou controversa após fortes críticas de um de seus primeiros apoiadores, o bilionário Elon Musk, que posteriormente processou a OpenAI e acusou Altman e outros executivos de transformar a organização sem fins lucrativos em um veículo de enriquecimento privado.
Em maio, um júri dos Estados Unidos decidiu contra Musk em seu processo, concluindo que a empresa de IA não era responsável perante a pessoa mais rica do mundo por supostamente ter se desviado de sua missão original de beneficiar a humanidade.
O veredito unânime removeu um importante fator de incerteza para o IPO, com analistas afirmando que ele eliminou um grande obstáculo jurídico que costuma preocupar investidores do mercado acionário.

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