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Vorcaro bancava “tratamento privilegiado” a Ciro Nogueira

O banqueiro Daniel Vorcaro, preso por suspeita de realizar uma fraude financeira bilionária através do Banco Master, mantinha uma relação de “tratamento privilegiado” e “diferenciado” com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), incluindo o pagamento de viagens internacionais de luxo, hospedagens em hotéis de alto padrão e outras vantagens financeiras. A conclusão é da Polícia Federal em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e tornado público nesta terça-feira (16).

A representação embasou a quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada no mês passado e que cumpriu mandados de busca e apreensão contra o senador. Na ocasião, a Polícia Federal afirmou que Ciro Nogueira recebia uma espécie de mesada que variava entre R$ 300 mil e R$ 500 mil para atender a interesses políticos de Vorcaro.

“Tal vínculo de amizade transcende a mera relação pessoal, revelando-se, na verdade, uma relação funcional e instrumental, estruturada a partir da convergência de interesses ilícitos e orientada pelo benefício mútuo extraído por cada um dos envolvidos”, aponta a Polícia Federal no relatório.

A Gazeta do Povo procurou o senador e a defesa de Vorcaro para comentarem os detalhes da representação da Polícia Federal e aguarda retorno.

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O documento foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, e descreve o vínculo entre os dois como uma “relação funcional e instrumental” voltada ao benefício mútuo. Para a Polícia Federal, as evidências indicam que vantagens financeiras eram oferecidas em troca de atuação política alinhada aos interesses do grupo econômico investigado.

Além da mesada, a representação cita a aquisição de uma participação societária estimada em R$ 13 milhões pelo valor de R$ 1 milhão, o custeio de viagens em jatos particulares, hospedagens de luxo em Paris, Nova York e Lisboa, e despesas em restaurantes e eventos sofisticados. Entre os destinos que teriam sido bancados está uma viagem à cidade de Courchevel, nos Alpes Franceses, no ano passado junto de sua companheira.

“De um lado, Ciro Nogueira Lima Filho atuaria no âmbito do Senado Federal, valendo-se de sua posição institucional para exercer influência política e defender os interesses do banqueiro. De outro, Vorcaro ofereceria vantagens indevidas”, segue o relatório.

Os investigadores também confirmam que Ciro Nogueira apresentou um texto de completa autoria da assessoria jurídica do Banco Master para uma emenda a uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que poderia ampliar significativamente os negócios da instituição financeira.

“O parlamentar apresentou a Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, cujo conteúdo foi integralmente concebido por assessoria vinculada ao Banco Master, conforme evidenciado por comunicações obtidas no aparelho celular apreendido, metadados de arquivos e cotejo literal entre minutas privadas e o texto efetivamente protocolizado no Senado Federal”, afirmam os investigadores.

A emenda aumentaria a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) dos atuais R$ 250 mil para R$ 1 milhão, permitindo ao Banco Master utilizar ainda o seguro a investidores como propaganda para novas aplicações. Essa estratégia foi altamente utilizada pela instituição financeira para captar dinheiro no mercado – a emenda, no entanto, não foi aprovada.

O inquérito em tramitação no STF aponta ainda a utilização de terceiros e empresas interpostas para dificultar a identificação da origem e do destino dos recursos investigados. Segundo a Polícia Federal, essa estrutura teria servido para ocultar movimentações financeiras relacionadas ao esquema apurado.

Em manifestação divulgada após operação realizada em maio, a defesa de Ciro Nogueira afirmou que o senador não participou de qualquer atividade ilícita e está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.

Os advogados também declararam que o parlamentar repudia “qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.

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