
No papel, a esquerda geralmente adota um discurso de “empoderamento” das mulheres. É assim na página da Secretaria Nacional de Mulheres do PT, que descreve sua atuação como sendo a “promoção, criação e implementação de políticas públicas voltadas para a proteção e valorização das mulheres”. Na prática, porém, a organização tem substituído o próprio uso do termo “mulher” por expressões mais palatáveis a grupos ativistas.
Também é assim no governo federal. Na Caderneta da Gestante lançada em maio, por exemplo, termos como “mulher” e “mãe” foram substituídos por expressões como “pessoas que gestam” – em tempo, a expressão não aparece mais no documento disponível no site do ministério. É assim ainda com o Programa de Promoção e Proteção da Saúde e da Dignidade Menstrual, que tem como um de seus objetivos “combater a precariedade menstrual, que afeta milhões de meninas, mulheres e demais pessoas que menstruam no Brasil”.
Em resposta, ativistas e lideranças conservadoras organizaram a “1ª Marcha pelo Lugar da Mulher”, no último dia 31 de maio, na Avenida Paulista, em São Paulo. O foco da manifestação não foi outro senão defender o papel da mulher “no corpo, na lei e na vida”, nos termos dos organizadores. Mas isso bastou para que grupos de apoio a movimentos trans visse na marcha, realizada no tradicional palco das paradas LGBT+, um ataque.
A empresária e ativista Bárbara Hannelore, uma das porta-vozes da marcha, reforçou que o encontro não teve um caráter de confronto. Segundo ela, o objetivo era apenas se posicionar contra a visão dominante na cultura woke de que as mulheres biológicas seriam apenas um entre vários subgrupos. “Ser mulher não é uma categoria”, reforçou, em entrevista ao site Alpha Notícias.
Hannelore costuma criticar, em suas redes sociais, os termos neutros utilizados em registros oficiais, como “pessoas que gestam”. Para ela, trata-se de uma redefinição forçada pela esquerda. “É o apagamento do que foi conquistado por tantas mulheres que sangraram antes de nós”, completou.
Associação ficou contrariada por mobilização de mulheres
A mobilização contrariou a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). Para o grupo, a marcha é mais um exemplo de iniciativa mobilizada para “fortalecer agendas restritivas” às pessoas trans. O posicionamento veio na forma de uma nota oficial publicada no site da associação.
Na nota, a Antra classifica a mobilização como apenas uma articulação política para “produzir desconfiança em relação à presença de mulheres trans em espaços públicos, tensionar sua circulação na cidade e promover retrocessos no campo dos direitos e das políticas de cidadania e proteção social”.
A Marcha pelo Lugar da Mulher também recebeu o apoio de homens e até mesmo de travestis. É uma diversidade que incomodou a associação, que destacou o deslocamento da imagem conservadora tradicionalmente ligada a lideranças masculinas e religiosas para uma atuação protagonizada por mulheres.
A nota da Antra afirma que esse quadro de diversidade “contrasta com o fato de que a ampla maioria das mulheres brasileiras não organiza suas demandas políticas em torno da exclusão de mulheres trans”.
Por fim, a associação ainda tentou invalidar a marcha conservadora, tomando para si e para os “movimentos sociais do campo progressista” a primazia pela defesa dos direitos das mulheres.
“Iniciativas como a Marcha das Mulheres Negras, a Marcha das Mulheres Indígenas, a Marcha das Margaridas, os movimentos de trabalhadoras rurais, as organizações sindicais, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e as articulações do 8 de Março, entre outras, reafirmam uma perspectiva interseccional e inclusiva na luta por direitos”, completou a Antra.














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