O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quinta-feira (25) que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, deve ser transferido em até 24 horas para uma cela na chamada Papudinha, uma ala diferenciada do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A transferência ocorre após o empresário ter a segunda proposta de delação premiada rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Vorcaro está preso em uma cela especial – chamada de “sala de Estado maior” – da Superintendência da PF na capital federal desde meados do mês de março, quando começou a discutir uma colaboração com as autoridades para delatar os envolvidos nas supostas fraudes financeiras cometidas através do Banco Master. No entanto, após a rejeição da segunda proposta, a própria Polícia Federal pediu a retirada do empresário da unidade.
Com a decisão desta quinta-feira (25), Vorcaro será transferido para uma cela no 19º Batalhão da Polícia Militar, mesmo local onde o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpria pena pela condenação da suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Lá também está preso o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, envolvido no escândalo do Banco Master.
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Vorcaro havia sido levado inicialmente para o presídio federal após sua segunda prisão, em meados de março. Dias depois, iniciou as tratativas para a primeira proposta de colaboração premiada, sendo beneficiado com a progressão para uma cela especial na sede da Polícia Federal, com acesso diário aos seus advogados.
Após a rejeição da primeira proposta, em maio, Vorcaro chegou a ser transferido para uma cela comum dentro da própria superintendência, o que foi revertido dias depois com a sinalização de um novo acordo após a saída do advogado José Luis Oliveira Lima e a entrada do criminalista Sérgio Leonardo na condução do caso.
A Polícia Federal concluiu que a segunda proposta não apresentou informações inéditas capazes de contribuir de forma relevante para as investigações. Além disso, os investigadores avaliaram que o material entregue não trouxe elementos de prova que permitissem confirmar os relatos apresentados pelo banqueiro.
Os investigadores já possuem acesso a oito celulares de Vorcaro, além de documentos e mensagens obtidos durante as apurações. Na avaliação da corporação, grande parte das informações oferecidas pelo investigado já era conhecida ou estava previamente mapeada pelos órgãos responsáveis pelo caso.
Relatórios analisados pela Polícia Federal apontam que os anexos entregues não apresentam fatos suficientemente novos nem provas de sustentação capazes de justificar o avanço das negociações. O entendimento é de que o material buscou mais justificar relações e favores concedidos a integrantes da classe política do que confessar crimes ou abrir novas frentes de investigação.
Daniel Vorcaro é investigado sob suspeita de liderar um esquema de fraudes financeiras e corrupção de agentes públicos em benefício próprio e do Banco Master, lesando correntistas, investidores e fundos de previdência ligados a estados e municípios.

















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