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Violência no Brasil ganha traços cada vez mais bizarros

Os episódios de violência não deixam de me impressionar. O sociólogo Sérgio Buarque de Holanda dizia que o brasileiro é muito cordato, ou cordial. São palavras que vêm de cor, “coração” em latim, ou seja: o brasileiro age muito com o coração e pouco com o cérebro. Aí vemos o que fez uma estudante de Medicina de 29 anos, chamada Vitória Caroline, em Porto Velho. Ela discutiu em uma casa e, depois de bater boca, entrou no carro, deu marcha à ré para pegar distância, depois acelerou, derrubou o portão, invadiu a casa com o carro e matou um senhor de 68 anos, Odair Brustolin. Depois, ela foi embora. Estava sentada na varanda da casa de um amigo, conversando, contando que se envolveu em uma briga, quando a polícia – que certamente já sabia do homicídio – chegou. Ela destratou a polícia e foi presa. Vi imagens dela dentro da prisão, batendo a cabeça nas grades, em um surto maluco. E era estudante de Medicina.

O Rio está completamente tomado pelo crime organizado

No Rio, tivemos a prisão do pastor Márcio Poncio, que tem uma filha deputada estadual. Ele foi preso em uma operação da Polícia Federal que tinha mais dois mandados contra gente que já está presa: Adilsinho, apontado como chefão do jogo do bicho e, ao que parece, também do contrabando de cigarro; e Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Também houve busca e apreensão contra um filho de Sérgio Cabral, Marco Antônio Cabral.

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A origem de muita coisa que está errada no Rio de Janeiro é o jogo do bicho, criado pelo Barão de Drummond. Começou com uma contravenção, depois virou crime, e aí começaram os assassinatos, o domínio sobre o carnaval, a adaptação à cultura carioca, ou vice-versa. O passo seguinte foi a perda de regiões inteiras para o crime – esse, sim, um ataque à soberania. O noticiário diz que o PCC está sendo considerado a maior organização criminosa do Hemisfério Ocidental. Já ultrapassou colombianos e mexicanos? O Brasil se projetar mundialmente pelo crime é algo incrível e vergonhoso.

Crivella consegue liminar para ser candidato ao Senado

Marcelo Crivella não está mais inelegível. O Tribunal Regional Eleitoral o havia tornado inelegível por oito anos; a defesa foi ao Tribunal Superior Eleitoral, alegando que as convenções ocorreriam antes que o recurso fosse julgado, e assim Crivella, que pretende ser candidato ao Senado pelo Republicanos, não poderia lançar seu nome na convenção. E se ele fosse absolvido depois? Diante dessa possibilidade, o ministro André Mendonça aprovou um pedido de liminar, e Crivella não está mais inelegível; pode até voltar a ficar, mais tarde, no julgamento final, mas pelo menos pode submeter o nome à convenção partidária. Tudo indica, portanto, que ele será mesmo candidato ao Senado – coisa que Michelle Bolsonaro parece não ser mais, mesmo estando praticamente eleita, segundo as pesquisas.

Brasil passa vergonha tripla diante do mundo

A Transparência Internacional afirmou, para o mundo inteiro, que é estarrecedor o fato de a Procuradoria-Geral da República não fazer nada em relação ao contrato de R$ 129 milhões de Daniel Vorcaro com o escritório da família Moraes. Chegou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos uma reclamação da Associação Nacional de Educação Domiciliar sobre a perseguição a famílias que estão ensinando seus filhos em casa, algo que é permitido em 65 países – Rússia, Estados Unidos, Chile, Colômbia, Equador, Austrália, França, África do Sul e tantos outros –, mas aqui no Brasil gera perseguição. E a Itália está rejeitando um segundo pedido de extradição de Carla Zambelli, porque vem de um inquérito que está intrinsecamente nulo. Três assuntos completamente diferentes, três vergonhas para o Brasil.

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