O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (21) que o Brasil “não se entrega” às vésperas da possível entrada em vigor de uma nova tarifa anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, em meio ao aumento das tensões comerciais entre os dois países.
A nova cobrança deverá entrar em vigor ainda nesta semana com uma tarifa adicional de 12,5% com base na chamada “Seção 301”, que investiga supostas práticas relacionadas ao trabalho forçado. O governo brasileiro contesta os fundamentos da medida e afirma que a investigação utiliza informações defasadas para justificar a decisão.
“Este país foi criado e construído por brasileiros. Aqui ninguém diz o que vamos fazer. Nada é mais sagrado do que a defesa da soberania nacional. Aqui nós erramos por nós. Acertamos por nós. […] O Brasil não se entrega”, afirmou Lula em uma rede social.
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A avaliação do governo é de que as novas tarifas representam uma retaliação ao governo brasileiro por não atender às pressões da administração de Donald Trump em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A medida se soma ao tarifaço de 25% aplicado na semana passada sobre parte das exportações brasileiras aos Estados Unidos, fundamentado em uma investigação sobre supostas práticas comerciais anticoncorrenciais.
Os impactos das novas barreiras comerciais tendem a atingir principalmente os estados de São Paulo e Santa Catarina, que concentram a maior parcela das exportações afetadas. Segundo estimativas apresentadas pelo governo:
- São Paulo responde por cerca de US$ 3 bilhões dos US$ 7,2 bilhões em produtos atingidos pelas tarifas;
- Santa Catarina terá aproximadamente 68% de suas vendas aos Estados Unidos impactadas;
- Juntos, os dois estados representam 52% das exportações brasileiras que não receberam isenção das novas tarifas.
Apesar do endurecimento das medidas, o governo brasileiro pretende manter abertas as negociações com Washington para ampliar a lista de produtos isentos. A estratégia também inclui a apresentação de argumentos técnicos e comerciais na tentativa de reverter ou reduzir os efeitos das tarifas, mesmo diante de um cenário político considerado desfavorável para avanços imediatos.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que a posição brasileira não mudou e criticou as exigências feitas pelos Estados Unidos durante as negociações.
“O que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas durante o curso das negociações. […] Em outras palavras, exigiam uma capitulação”, declarou.
Segundo o chanceler, o governo brasileiro intensificou o diálogo diplomático antes e depois da adoção das medidas comerciais. Mauro Vieira informou que foram realizadas mais de 30 reuniões presenciais, virtuais e por telefone com autoridades norte-americanas, incluindo 11 encontros diretos com o secretário de Estado, Marco Rubio, e com o representante de Comércio americano, Jamieson Greer, além de conversas entre os presidentes Lula e Donald Trump.

















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