A disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) levou os principais partidos do Centrão a adotar uma estratégia de neutralidade na eleição presidencial. Sem declarar apoio formal a nenhum dos dois candidatos, PP, União Brasil, Republicanos e MDB pretendem preservar o poder de negociação de suas bancadas no Congresso com o futuro presidente, ao mesmo tempo em que liberam diretórios estaduais para definir alianças de acordo com os interesses regionais.

O cálculo ganhou força em meio ao equilíbrio da corrida presidencial. Pesquisa PoderData/AYA divulgada no último dia 16 mostra Lula com 45% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 43% de Flávio Bolsonaro. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, os dois aparecem tecnicamente empatados, cenário que, na avaliação de dirigentes partidários, reforça a estratégia de adiar um posicionamento nacional até a reta final da campanha.

A cúpula do PL, por exemplo, busca incluir formalmente na coligação de Flávio partidos como PP, União Brasil e Republicanos. A aliança com essas siglas era vista como uma forma de aumentar a capilaridade da campanha do senador, ampliando, por exemplo, o tempo de propaganda no rádio e na TV.

Estratégia nacional do Centrão permite acomodar interesses regionais distintos.