A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de acionar o plenário da Corte para investigar relações espúrias do colega Alexandre de Moraes com o Banco Master deu contorno trágico à crise do Judiciário. Moraes está encurralado e a sociedade espera a reação do STF.

Os juízes são convidados a decidir, pela primeira vez, sobre claros indícios envolvendo um deles, que também alcançam as cúpulas da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal (PF). A retirada do sigilo do relatório da PF tornou explosivo o que antes estava confinado aos autos.

Mensagens de Daniel Vorcaro indicam contato constante com Moraes e pedidos de intervenção sobre o PGR, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O banqueiro pediu ajuda para evitar sua prisão; e Moraes editou contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório da mulher dele, Viviane Barci.

Mendonça, avesso a entrevistas e manifestações políticas, escolheu os autos para responder. Pediu à PF, em 72 horas, todas as referências a Moraes, Gonet e Andrei e encaminhou o material à PGR. O ofício pode ser uma mera formalidade, mas se tornou muito constrangedor para Gonet e outros.