Veio à tona neste domingo (20) um vídeo em que a governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), sugere fazer uma laqueadura em uma mulher grávida “sem ela saber”.
O caso ocorreu 2025 no Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns, a 230 quilômetros de Recife, e foi publicado pelo Metrópoles.
“Chega assim, ó, gestante, desse tamanho. Sete meninos na barriga”, afirma a mulher, simulando com as mãos uma grande barriga de grávida. “A gente tem que fazer laqueadura, visse? A gente bota na fila da laqueadura. Isso eu posso fazer”, responde a governadora.
A mulher então fala algo inaudível no vídeo, no que a governadora responde: “Mas faz sem ela saber.”
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Legislação exige consentimento da mulher para laqueadura
Considerada uma cirurgia de risco e de difícil reversão, a laqueadura é regulamentada pela Lei 9.263/1996, conhecida como Lei do Planejamento Familiar.
No Artigo 10, a lei afirma que “é condição para que se realize a esterilização o registro de expressa manifestação da vontade em documento escrito e firmado, após a informação a respeito dos riscos da cirurgia, possíveis efeitos colaterais, dificuldades de sua reversão e opções de contracepção reversíveis existentes.”
Em 2022, no final do governo de Jair Bolsonaro (PL), uma nova legislação revogou a exigência de consentimento do cônjuge e diminuiu a idade mínima para a realização do procedimento no Brasil.
Já em 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou o julgamento de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade movida pelo PSB para que qualquer pessoa plenamente capaz tenha o direito à esterilização voluntária.
Raquel Lyra pede desculpas por fala
Ainda neste domingo, a governadora Raquel Lyra postou um vídeo nas redes sociais em que pede desculpas pela afirmação.
“Está circulando na internet um vídeo antigo meu falando sobre laqueadura na cidade de Garanhuns. Como mãe e mulher, sei dos desafios que é decidir sobre o planejamento familiar”, afirmou.
“Peço desculpas, foi uma fala equivocada, eu não tenho compromisso com o erro. Tenho trabalhado sempre como prefeita e governadora que toda a mulher tenha direito à informação e a planejamento familiar, através da rede pública de saúde”, complementou Lyra.
A duas semanas do pleito eleitoral, a candidata afirmou ainda que “essa fala em nada traduz o respeito” que tem pelas mulheres e que a publicação do vídeo seria “mais uma tentativa de desviar o foco do debate”.
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