O Departamento de Estado dos Estados Unidos calcula até onde pode apertar o cerco contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sem transformar uma eventual nova rodada de sanções em um “favor” ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição brasileira do próximo mês. Analistas ouvidos pela Gazeta do Povo indicam que os Estados Unidos (EUA) devem adotar a estratégia de “intervir não intervindo”. 

A possibilidade de novas punições a integrantes do STF, especialmente ao ministro Alexandre de Moraes, permanece em discussão no governo americano. Mas o calendário eleitoral é um fator que pesa para uma eventual decisão.

Segundo analistas e fontes ligadas à diplomacia americana, a leitura no momento é de que qualquer medida tomada pelos EUA durante a campanha eleitoral brasileira poderia ser interpretada como interferência externa e incorporada ao discurso político de defesa da soberania do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Isso poderia favorecê-lo nas urnas.

“O calendário eleitoral brasileiro é, indiscutivelmente, uma variável de altíssima relevância no cálculo diplomático do Departamento de Estado e do Conselho de Segurança Nacional em Washington”, afirma o cientista político Márcio Coimbra, mestre em Ação Política pela Universidade Rei Juan Carlos da Espanha.