O ativista Thiago Ávila diz que enfrenta, desde domingo (20), reações negativas após ter adulterado uma placa da rua Estado de Israel, em São Paulo. Na ocasião, ele colou um adesivo sobre a placa, mudando temporariamente o nome da via para “Palestina Livre do Rio ao Mar”. Ele conta que, desde o episódio, vem sendo atacado por adversários nas redes sociais, relata ameaças a si e à sua família e afirma que o seu comitê sofreu uma tentativa de arrombamento, a qual ele associa ao ato.
“O que aconteceu foi uma ação simbólica que durou 5 minutos, aquele adesivo sequer ficou lá, o que impressiona a gente é que isso deu brecha para um intenso ataque de calúnia e difamação”, afirmou.
A campanha do candidato a deputado associa o arrombamento à manifestação do último fim de semana porque seu nome estaria muito mais visado. De acordo com a assessoria, seu nome quadruplicou em buscas no Google, mas a equipe decidiu não registrar boletim de ocorrência.
Participante da flotilha global Sumud ao lado da ativista ambiental Greta Thunberg, Thiago foi preso pelas forças israelenses e relata ter sido torturado física e psicologicamente na ocasião. Atualmente, concorre ao cargo de deputado federal por São Paulo pelo partido Rede Sustentabilidade, o mesmo de André Janones e Marina Silva, e tem como principal bandeira a defesa da Palestina.

Críticas e ameaças de processo
Adversários políticos o acusam de adotar uma linha de “provocações” contra a direita identificada com a defesa do Estado de Israel face às agressões de grupos financiados pelo regime do Irã, notadamente o Hamas. O debate internacional sobre o tema se intensificou desde o ataque terrorista de 8 de outubro de 2024, o maior massacre de judeus desde a 2ª Guerra Mundial.
Devido à modificação da placa, opositores ameaçam de processo o ativista por vandalismo — um crime que ele nega ter cometido. Uma das críticas veio da candidata a deputada pelo NOVO, Cris Monteiro, que afirmou pretender acionar a Justiça.
Sobre Israel e “antissemitismo”
Questionado pela Gazeta do Povo se adesivar a placa de uma rua que homenageia o “Estado de Israel” não poderia ser interpretado como uma negação do direito de o país existir, Thiago comparou a política israelense de Benjamin Netanyahu à segregação racial que existiu na África do Sul.
“É inadequado existir uma rua no nosso país que cumpre esse papel de, na nossa avaliação, endossar um regime que nesse momento tá cometendo genocídio contra o povo palestino. (…) Quando a gente fala do ‘Estado de Israel’ a lógica é de como funciona um Estado colonial de apartheid que precisa acabar, é a mesma coisa que dizer que o apartheid na África do Sul precisava acabar”, disse.
O candidato repudiou também as acusações de antissemitismo, definindo-se apenas como “antissionista”.
“Toda vez que a gente fala da luta antissionista, é muito importante separar o que é antissionismo do que é ódio ao judeu, antissemitismo. O antissemitismo é uma prática que a gente condena e que é crime no nosso país”, enfatizou.

















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