
A presidente do México, a esquerdista Claudia Sheinbaum, direcionou alfinetadas ao seu homólogo americano, Donald Trump, e defendeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na sua coletiva de imprensa desta quarta-feira (23).
A mandatária mexicana foi questionada sobre o discurso de Trump na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, na terça-feira (22), quando o republicano afirmou que “o México é o epicentro da violência dos cartéis”.
“Infelizmente, é inaceitável que os Estados Unidos compartilhem uma fronteira de 2 mil milhas [3,2 mil km] com um território controlado por cartéis inimigos. Portanto, o México deve retomar o controle de seu território das mãos dos inimigos da humanidade”, disse o presidente americano.
Na sua resposta à pergunta sobre o assunto, Sheinbaum foi irônica. “Eu poderia dizer: ‘É muito difícil viver ao lado de um país que tem um nível tão alto de consumo de drogas ilícitas’; ou poderia dizer: ‘É muito difícil viver ao lado de um país que tem tanta produção de armas’. Mas não vou dizer isso, não vou dizer porque temos uma boa relação com o presidente Trump e com o governo dos Estados Unidos”, alfinetou, antes de alegar que México e EUA estão “trabalhando de forma coordenada e avançando” no combate aos cartéis.
Em outro momento da entrevista coletiva, Sheinbaum foi perguntada sobre um relatório que a gestão Trump enviou ao Congresso americano na semana passada, alegando que o governo Lula falhou no combate às organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), e sobre um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que indicou risco de “interferência externa” dos Estados Unidos na eleição presidencial de outubro.
“Primeiro: parece-me que o presidente Lula tem sido um presidente muito bom”, respondeu a presidente do México, que é aliada do mandatário brasileiro.
“E, segundo: não deve haver interferência estrangeira em nenhuma eleição de nenhum país. Esse é um princípio constitucional do México, chamado ‘autodeterminação dos povos e solução pacífica de conflitos’. É para isso que existem as Nações Unidas [resolver conflitos]. Mas não deve haver interferência estrangeira”, disse Sheinbaum.
“Então, que os brasileiros e as brasileiras decidam livremente no Brasil. E que a decisão do povo seja respeitada”, concluiu.

















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