“Respeite a minha história”, pede Cleitinho Azevedo no boné e na camiseta que aparecem no material oficial de sua campanha ao governo de Minas Gerais registrado no TSE. O pedido é feito pelo candidato cuja trajetória política começa muito antes das urnas — e passa, entre outras coisas, pela carreira de verdureiro e por uma banda de pagode que, segundo o próprio Cleitinho, chegou a ser comparada aos Mamonas Assassinas. 

A comparação, porém, traz uma ressalva importante. Em uma entrevista quando ainda era vereador na cidade mineira de Divinópolis, Cleitinho contou que sua banda era comparada ao grupo de Guarulhos pela irreverência. Mas fez questão de estabelecer uma diferença: os Mamonas tinham “irreverência e musicalidade”; ele, que na época era conhecido pelo nome artístico de “Cleitinho Elétrico”, diz que tinha apenas a primeira. A qualidade musical, portanto, não era exatamente sua principal marca como artista. 

Antes de se eleger deputado estadual, senador e agora se lançar como candidato ao governo de Minas, ele também foi comerciante e produtor de vídeos que misturavam humor e críticas políticas. Descobriu nas redes sociais uma forma de transformar irreverência em popularidade — e popularidade em votos. 

Do pagode à disputa pelo Palácio Tiradentes, Cleitinho percorreu um caminho improvável. E, se a música não foi exatamente seu forte, a irreverência e o temperamento imprevisível acabou se mostrando um ativo político bastante valioso.