O ex-banqueiro Daniel Vorcaro indicou o abandono de uma possível terceira proposta de colaboração premiada após prestar depoimento à Polícia Federal na última quarta-feira, 30 de setembro. Preso há sete meses no âmbito do Caso Master, Vorcaro agora concentra sua defesa na contestação da legalidade de sua prisão preventiva e na busca pela anulação de provas, afastando-se da ideia de denunciar autoridades.

Por que o ex-banqueiro decidiu mudar sua estratégia de defesa?

Após duas tentativas de delação que não avançaram com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, Vorcaro e seus advogados avaliaram que insistir em um acordo poderia passar uma falsa impressão de culpa. A defesa argumenta que não houve crimes financeiros ou corrupção que justifiquem os benefícios de uma delação. Agora, o foco total está em derrubar a prisão preventiva, que já dura quase sete meses sem uma denúncia formal. Eles acreditam que o tempo de detenção ultrapassou o limite razoável e pretendem questionar a validade dos atos processuais realizados até aqui.

Quais são as suspeitas que envolvem ministros do STF no caso?

As investigações reuniram mensagens e documentos que mencionam aproximações de Vorcaro com seis dos dez ministros do Supremo Tribunal Federal. Entre os pontos citados estão pagamentos ao filho de Nunes Marques, encontros com André Mendonça para tratar de precatórios e um contrato milionário do Banco Master com o escritório da esposa de Alexandre de Moraes. Também há referências a Luiz Fux, Gilmar Mendes e Dias Toffoli, que deixou a relatoria do caso após ter seu nome ligado a uma empresa de resort vendida ao ex-banqueiro. Vale ressaltar que nenhum ministro é oficialmente investigado.

O que as investigações dizem sobre o grupo chamado A Turma?

A Polícia Federal investiga se Daniel Vorcaro criou um grupo clandestino apelidado de “A Turma” com o objetivo de monitorar, intimidar e perseguir jornalistas e autoridades que denunciaram o esquema bilionário. No entanto, em seu depoimento, o ex-banqueiro negou veementemente a existência dessa estrutura. Sua defesa classificou a hipótese como uma fantasia, alegando que todas as medidas tomadas contra desafetos foram estritamente judiciais. Sobre falas agressivas encontradas em mensagens, os advogados afirmaram ser apenas desabafos emocionais de um pai e não planos reais de violência.