Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) nas urnas poderá ser revertida logo em seguida por uma mal-intencionada intervenção judicial? A hipótese inquieta parte da direita dias antes do primeiro turno, no próximo domingo (4). Para analistas, tal intervenção é até provável, mas o seu sucesso, não.

Dada a polarização do país e do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), a desconfiança sobre os riscos de manobras para invalidar o pleito encontra terreno fértil. A questão, contudo, é precisar a chance real de um só juiz do STF anular o desejo da maioria em razão da sua própria preferência política.

A atuação de Flávio Dino e Gilmar Mendes, ministros da Corte, já provocou a reação de Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), contra o TSE paralelo deles. Gilmar validou o reajuste do Bolsa Família, e Dino suspendeu ordem contra postagens sobre Nossa Senhora Aparecida.

Para Kassio, as intervenções minam a autoridade da Corte Eleitoral em favor da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Dino mandou a Polícia Federal (PF) investigar uma suposta “onda” de ataques a imagens religiosas e recebeu pedido do PT para apurar “ingerência estrangeira” nas eleições.