A direita obteve duas conquistas históricas nas urnas deste domingo (4):  vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno das eleições 2026 e força parlamentar capaz de conter o Supremo Tribunal Federal (STF). Além da revanche de Jair Bolsonaro na eleição de 2022, ganhou poder sobre a agenda nacional, seja lá quem for o escolhido em 25 de outubro para ser presidente.

O trunfo conservador mais contundente está no Senado. O PL elegeu 19 senadores e deverá iniciar a próxima legislatura com 28 integrantes, a maior bancada partidária em início de legislatura desde 1988. Com ao menos 49 senadores favoráveis a processos de impeachment, faltariam cinco dos 54 para condenação por crime de responsabilidade e julgamento pelo Senado.

Em junho de 2025, em ato político na Avenida Paulista, Bolsonaro defendeu a conquista de metade da Câmara e do Senado como meio para mudar o país, mesmo estando fora do Palácio do Planalto. O Congresso renovado de 2027 condicionará a Presidência da República, filtrará as indicações ao STF e deliberará reformas estruturais para barrar de vez os excessos do Judiciário.

Mesmo preso e absolutamente silenciado, Bolsonaro elegeu centenas de aliados e pôs o primogênito às portas da Presidência, a esposa e outro filho no Senado, e mais um na Câmara. Somadas às vitórias de governadores já no primeiro turno, esses fatos mostram que nem a mais dura restrição a um político brasileiro conseguiu conter o seu capital político e eleitoral.