
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Nunes Marques afirmou, por meio de sua assessoria, que não analisará os processos de revisão criminal do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) antes do segundo turno das eleições. A manifestação, obtida pela CNN Brasil nesta quarta-feira (7), afasta, ao menos até o fim do período eleitoral, a possibilidade de uma liminar para suspender a prisão do ex-presidente.
De acordo com a assessoria, a espera busca evitar interferência no processo eleitoral. Nunes Marques apresentou argumento semelhante em setembro, quando se declarou impedido de participar do julgamento sobre uma eventual investigação das relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Na ocasião, afirmou que o caso poderia impactar o cenário político-eleitoral e citou sua condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O gabinete também ressaltou que o processo ainda aguarda parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR). Depois que estiver pronto para julgamento, Nunes Marques pretende levar o caso ao Plenário do Supremo. Caso a análise ocorra em sessão presencial, caberá ao presidente da Corte, Edson Fachin, definir a data.
“O Ministro Kassio Nunes Marques tem afirmado que não vai analisar o caso antes da eleição por considerar que isso pode interferir no processo eleitoral. Isso deve ser avaliado somente após o segundo turno, que não significa imediatamente depois, é preciso aguardar o processo estar concluso. O caso ainda está pendente de parecer da PGR, mas, quando estiver pronto para julgamento, o ministro pretende levar ao plenário, que é o órgão competente. E a data desse julgamento, se for a plenário presencial, depende do presidente do Supremo Tribunal Federal”, diz o texto.
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Bolsonaro tem duas revisões criminais sob relatoria de Nunes Marques
Nunes Marques é o relator de duas revisões criminais em favor de Bolsonaro. A primeira, protocolada em maio, faz um ataque amplo à condenação. Ela questiona desde a competência da Primeira Turma e o processamento dos recursos até a validade da colaboração de Mauro Cid. Também aponta cerceamento de defesa e o próprio mérito das imputações.
O caso foi distribuído a Nunes Marques por sorteio, com a Primeira Turma excluída. O Regimento Interno do Supremo determina que, “se a decisão embargada for de uma Turma, far-se-á a distribuição dos embargos dentre os ministros da outra” e o artigo seguinte estende a regra às revisões criminais.
Posteriormente, no dia 24 de setembro, a defesa de Bolsonaro pediu a desistência de um pedido de liminar protocolada no mesmo dia para suspender a pena. Desde então, o caso está concluso ao relator, ou seja, aguardando um pronunciamento de Nunes Marques.
No dia seguinte, a defesa protocolou outra revisão criminal. A distribuição por prevenção (conexão temática) levou o processo também a Nunes Marques. Os advogados transportam para o novo processo o pedido de liminar. Esta, porém, não é a única diferença.
A defesa usa manifestações produzidas no caso Master para sustentar limites à iniciativa investigatória de magistrados e a necessidade de acesso integral e tempo adequado para examinar grandes volumes de provas. Também apresenta um novo parecer técnico que aponta supostas falhas na cadeia de custódia de provas digitais.
A fase registrada no sistema, porém, ainda é inicial. Os autos estão conclusos para o relator após a distribuição, apenas com a petição inicial e os demais documentos juntados pela defesa.

















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