Uma das correntes mais incisivas do PT, a Articulação de Esquerda (AE), fez nesta quinta-feira (8) duras críticas à direção do partido, ao governo e à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após o petista terminar o primeiro turno da eleição atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por uma diferença de pouco mais de dois milhões de votos.
A corrente divulgou um documento que acusa o partido e os responsáveis pela campanha de cometerem “erros gravíssimos”. Apesar disso, considera possível a vitória de Lula no segundo turno.
“O fato de termos previsto – em linhas gerais – o resultado, não significa que ele era inevitável. Nosso governo, nossa campanha e nosso Partido cometeram erros gravíssimos”, afirma o documento a que a Gazeta do Povo teve acesso.
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A corrente afirma que parte do PT subestimou a força dos adversários e trabalhou com a expectativa de que a eleição presidencial seria decidida já no primeiro turno, conforme Lula afirmou em diversas entrevistas e comícios durante a campanha. O grupo ainda considera equivocada a estratégia de concentrar os trabalhos na comparação entre os governos e os resultados obtidos, em vez de apresentar uma proposta para o futuro.
Segundo a Articulação de Esquerda, a “ênfase em ‘comparar legados e entregas’” impediu que o partido disputasse de forma mais clara as perspectivas para o país.
“Em linhas gerais, o resultado do primeiro turno – com uma vitória parcial da extrema-direita – não nos surpreendeu, como pode ser comprovado pela leitura das resoluções que aprovamos desde novembro de 2024. Era previsível que não haveria alteração qualitativa, em favor da esquerda, nem nas eleições legislativas, nem nas eleições para governador”, pontua o grupo.
A Articulação de Esquerda também aponta problemas na organização eleitoral do PT em diferentes Estados e reclama da falta de materiais para a campanha presidencial. Entre os erros citados estão a ausência de candidaturas petistas ao governo do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, a demora para definir o nome ao governo de Minas Gerais e a avaliação de que a campanha em São Paulo teria se limitado a “cumprir tabela”.
Outro alvo das críticas é a direção nacional do PT, sem que o documento cite nominalmente o presidente da sigla, Edinho Silva. A AE fala em “incompetência, inapetência e falta de tesão de parte da direção nacional do Partido, a começar pela presidência, que formalmente ocupa a coordenação geral da campanha”.
“Alguns daqueles erros não tem mais como ser corrigidos. Outros precisam ser corrigidos imediatamente, se quisermos vencer”, cita o documento.
A corrente ainda trata o segundo turno da eleição como uma disputa de alcance internacional e cita diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para a tendência petista, a eleição “será decisiva para o futuro do Brasil, da América Latina e Caribe e da humanidade”, em uma disputa que envolveria impedir que “Trump, a extrema direita e o imperialismo controlem toda a região”.
“Para o Brasil, trata-se de impedir que o crime organizado reconquiste o governo federal, ameaçando nossas liberdades e enterrando qualquer possibilidade de o Brasil ter desenvolvimento, bem-estar e soberania”, completa.
















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