O PT saiu do primeiro turno das eleições de 2026 com os principais governos no Nordeste preservados, mas ainda tem de encarar o risco de perder o seu maior poder político: a Presidência. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está atrás de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, e a direita dominará o Congresso.

Os resultados das urnas agravaram um gargalo existencial para o partido de Lula, o de depender da recuperação do seu líder hegemônico para seguir no comando nacional e, assim, manter a potência eleitoral para evitar o declínio nas próximas eleições, a exemplo do que ocorreu com o outrora rival PSDB.

Uma derrota de Lula no dia 25 elevaria o peso dos governos nordestinos como redutos cristalizados de poder do PT e na reorganização do partido sem a perspectiva de contar com Lula candidato em 2030, aos 84 anos. Para piorar, segue indigesta a pergunta sobre quem sucederá o petista.

A dependência de Lula se reflete na dificuldade de deflagrar a sucessão interna. O presidente concentra autoridade para arbitrar conflitos e indicar rumos, enquanto possíveis herdeiros têm de construir legitimidade própria. A centralidade une o partido, mas adia a formação de líderes autônomos.