O Ministério da Justiça e Segurança Pública pediu, nesta sexta-feira (9), que a Polícia Federal investigue as ameaças de morte dirigidas à deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG). A jovem nova parlamentar de 21 anos afirmou ter recebido mensagens ameaçadoras pelas redes sociais.
Na véspera, ela relatou ter sofrido ataques machistas, racistas e ameaças de estupro. Ela ainda teve dados pessoais expostos publicamente e precisou desativar sua conta em uma rede social.
“A senhora Ana Elisa veio a público para denunciar que tem sido alvo de ameaças de morte e estupro perpetradas na internet contra si, motivadas pelo seu posicionamento e engajamento nas eleições presidenciais, levando-a a retirar seu perfil na rede social X do ar, em virtude dessas ocorrências. Teria recebido ameaças nesse teor a cada dois minutos e receia pela sua integridade física”, diz o ofício do ministério à autoridade policial.
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Ana Elisa recebeu 524 mil votos nas eleições para deputada federal neste ano, atrás apenas do concorrente Nikolas Ferreira (PL-MG). A jovem também se tornou a mulher mais votada na história para a Câmara dos Deputados e a mais jovem já eleita no país.
A deputada eleita divulgou, recentemente, reproduções de algumas das ameaças que recebeu, sendo uma delas de um usuário que se diz integrante de um grupo extremista e de supremacia branca.
“A prática de crimes por meio da rede mundial de computadores e que tenham conteúdo misógino são de competência da esfera federal. […] No presente caso, tem-se a prática, em tese de crime de ameaça, contra uma mulher recém eleita, precisamente pela sua atuação política, em contradição ao papel tradicionalmente esperado das mulheres”, pontua o ofício.
Dados recentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que a violência política de gênero cresceu 11 vezes entre os anos de 2022 e 2026, passando de 15 processos para 177 no período analisado. Já o Ministério Público Federal (MPF) registrou, desde 2018, 436 denúncias, sendo mais da metade com teor moral e violência psicológica.
“A internet não é território de impunidade. Registros técnicos podem permitir a identificação de quem utiliza o anonimato para ameaçar, perseguir ou intimidar. […] A tentativa de intimidar uma mulher negra para afastá-la da disputa política será respondida com denúncia, investigação e responsabilização”, disse a jovem em uma nota à imprensa pouco antes da eleição, quando já estava recebendo ameaças.

















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