
Flávio Bolsonaro (PL) reafirmou nesta quinta-feira (8) que quer ver aprovada pelo Congresso uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para acabar com a reeleição presidencial, válida já para o próprio mandato, caso vença. A promessa favorece aliados interessados em buscar a Presidência em 2030 e tenta reduzir resistências de eleitores à continuidade familiar no poder.
Apoiado por dirigentes do Centrão após vencer o primeiro turno, o senador promete empregar o capital político de uma vitória definitiva para aprovar a mudança. Dizendo querer disputar “o futuro do Brasil e não o poder”, ele indica renúncia à possibilidade de recondução ao cargo após o primeiro mandato como compromisso com a alternância e com o fim do “estatuto que provou não dar certo no país”.
A iniciativa de Flávio aconteceu antes da oficialização de sua candidatura neste ano. Apresentada em 2 de março, a PEC 4/2026, de sua própria autoria, impede a candidatura imediata do presidente para um segundo mandato. O texto resguarda os quatro anos de mandato e não estende a proibição a governadores e prefeitos, reduzindo focos potenciais de resistência entre os aliados. Ele ressalta que a decisão é do Congresso.
Há diferença entre a proposta protocolada e o compromisso renovado a dias do segundo turno. A PEC dele não traz veto específico a familiares. Flávio passou a defender a restrição a parentes até terceiro grau, ponto que dependerá da redação negociada com deputados e senadores, dos quais seu eventual governo terá maioria, sem vir como algo previsto.
Caminho aberto para 2030 aproxima Flávio de Tarcísio e do Centrão
O gesto procura organizar a sucessão dentro da direita. Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito governador de São Paulo, poderá disputar o Palácio do Planalto em 2030, ao concluir o segundo mandato como governador. Em setembro, ambos prometeram apoio mútuo mesmo sem qualquer acordo público anunciado envolvendo a chance de Flávio buscar a reeleição após eventual vitória.
A sinalização ganhou força com o apoio do Republicanos, anunciado na quarta-feira (7), após articulação de Tarcísio. O Podemos aderiu nesta quinta-feira (8) à campanha de Flávio, ampliando o arco que inclui a Federação de União Brasil e PP. A abertura da sucessão aproxima projetos pessoais e partidários da candidatura à Presidência. O acordo ainda espelha o recuo do Centrão na nova Câmara.
Por fim, ao excluir familiares da sucessão, Flávio anula uma declaração de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, que aventara a volta de Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto em 2030. A resposta procura afastar a leitura de que o mandato do filho seria apenas uma passagem de bastão, embora essa restrição ainda precise estar expressa em uma lei.
Mandato único oferece argumento para reformas, mas exige garantias
A promessa do fim da reeleição enfrenta o desgaste causado por precedentes. Jair Bolsonaro admitiu abrir mão da reeleição, mas concorreu em 2022; Lula disse na campanha que governaria por um mandato e voltou à disputa. Flávio tenta diferenciar um compromisso ao vinculá-lo desde já a uma mudança constitucional efetiva.
Na economia, o programa de Flávio associa o mandato único à liberdade para enfrentar com firmeza e determinação graves problemas estruturais sem calcular ganhos eleitorais imediatos. A tese pode favorecer um ajuste fiscal duro: o presidente assumiria o desgaste de medidas impopulares sem medir esforços e sem preparar a campanha própria à reeleição.
A ausência de candidatura em 2030 poderia ampliar a disposição para enfrentar resistências em 2026. Ela não elimina, porém, a pressão de aliados, que seguirão disputando eleições e podem resistir ao custo político dos cortes.
O teste será converter o discurso em regra: uma PEC exige o apoio de 308 deputados e 49 senadores, em dois turnos em cada Casa. Flávio admite discutir a duração do mandato e deixa em aberto a extensão da PEC a governadores e prefeitos. Para conquistar indecisos, precisa esclarecer o alcance da mudança e provar que a renúncia não virá acompanhada de compensações.

















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