Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a colocar o ajuste fiscal no centro do debate com Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Em vídeo divulgado nesta quinta-feira (8), o presidente questionou quais as despesas seriam afetadas pelo corte de R$ 200 bilhões no Orçamento, prometido pelo rival, insinuando que os programas sociais perderiam recursos se Flávio for eleito.

O presidenciável do PL rejeitou a acusação e reafirmou o compromisso de preservar benefícios e conceder reajustes às aposentadorias acima da inflação. A ofensiva ganhou força após a revelação pela imprensa de estudos da equipe econômica de Flávio para economizar até R$ 250 bilhões. As alternativas incluiriam mudanças na correção de benefícios previdenciários e assistenciais e nos pisos de saúde e educação.

A campanha de Flávio contestou a apresentação dessas discussões como propostas oficiais: afirmou que conversas informais não substituem o programa registrado nem os compromissos públicos do candidato. O embate chegou à Justiça Eleitoral. Na sexta-feira (9), o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a retirada do vídeo em que Lula associava o ajuste a perdas em programas específicos.

Segundo a decisão, faltava respaldo objetivo para atribuir essas propostas ao adversário, cujo plano prevê preservar as políticas sociais. A ordem ficou restrita à publicação questionada; não representou avaliação da viabilidade econômica do ajuste.