A vitória de Guilherme Muraro Derrite (Progressistas) na disputa pelo Senado Federal por São Paulo representa, também, uma vitória do governador reeleito, Tarcísio de Freitas (Republicanos) — que, além de Derrite, elegeu seu outro candidato ao Senado, o até então relativamente desconhecido André do Prado (PL), contra as favoritas nas pesquisas de intenção de voto, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).
Visto inicialmente como uma aposta de nicho e testado por crises à frente da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo — que incluem acusações e suspeitas de corrupção e envolvimento com facções criminosas na Polícia Militar e na Polícia Civil —, o ex-oficial da PM prevaleceu nas urnas com o forte apoio eleitoral do governador paulista.
Nas urnas, Derrite teve um desempenho expressivo — conquistou a vaga ao Senado com mais de 13,2 milhões de votos, representando aproximadamente 30,5% dos votos válidos no estado de São Paulo. O resultado o colocou na liderança da disputa majoritária paulista, consolidando sua votação tanto nos grandes centros urbanos quanto no interior do estado.
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A votação robusta não apenas carimba a ida de Derrite para o Senado com um mandato de oito anos, como também o coloca desde já como possibilidade à sucessão do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em 2030.
Nascido em Sorocaba, no interior paulista, em maio de 1984, Guilherme Derrite ingressou na Academia de Polícia Militar do Barro Branco em 2003, graduando-se bacharel em Ciências Policiais de Ordem Pública. Mais tarde, formou-se também em Direito e concluiu mestrado em Ciências Policiais e Segurança Pública.
Atuou como tenente entre 2010 e 2013 no famoso 1º Batalhão de Policiamento de Choque, as Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), de São Paulo. Posteriormente, assumiu o comando de companhias no Corpo de Bombeiros e no policiamento do interior do estado, alcançando o posto de capitão.
Em um estado onde a percepção da insegurança frequentemente pauta o debate eleitoral, a vivência de um oficial que esteve na linha de frente do combate ao crime organizado tornou-se um ativo político relevante — e o currículo com passagem pela Rota credenciou o capitão da PM junto ao eleitorado conservador.
Em 2018, impulsionado pela onda de renovação política que projetou quadros oriundos das forças de segurança, Derrite disputou sua primeira eleição para a Câmara dos Deputados pelo PP, obtendo mais de 119 mil votos. No Congresso Nacional, focou a atuação em temas afetos à legislação penal, ao sistema penitenciário e ao fortalecimento das polícias.
Durante seu primeiro mandato, relatou propostas na área da segurança pública como o projeto de lei que restringiu as saídas temporárias de presos — as chamadas “saidinhas” —, pauta histórica das forças policiais de direita no Congresso.
Em 2022, já filiado ao Partido Liberal (PL), foi reeleito deputado federal com 239 mil votos, figurando entre os candidatos mais votados do estado de São Paulo. Em janeiro de 2023, assumiu o comando da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), nomeado pelo então recém-eleito governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
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A passagem de Guilherme Derrite pela Secretaria de Segurança Pública foi atravessada por graves crises. No âmbito institucional, a gestão enfrentou o desgaste de investigações da Polícia Federal e do Ministério Público sobre esquemas de corrupção e extorsão dentro das próprias corporações, com policiais civis e militares apontados como operadores de lavagem de dinheiro e facilitadores de atividades da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
O ápice dessa infiltração criminosa nas forças de segurança ficou evidente na execução de Antônio Vinícius Gritzbach, delator da facção assassinado com disparos de fuzil no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em um atentado que resultou na prisão e no julgamento de policiais militares integrantes de sua própria escolta e envolvidos no esquema. O episódio escancarou a incapacidade da gestão em proteger uma testemunha-chave do Estado e conter o avanço do crime organizado sobre o aparato policial.
Somou-se a esse cenário de crise a persistente “epidemia” de furtos e roubos de celulares na capital e nos grandes centros urbanos, modalidade criminosa que manteve a percepção de insegurança no cotidiano da população.
A licença temporária da Secretaria da Segurança Pública para retomar a cadeira na Câmara dos Deputados e assumir a relatoria do chamado “PL Antifacção”, em 2025, respondeu a uma estratégia de projeção eleitoral para este ano. A tramitação da proposta, no entanto, foi envolta em polêmicas.
Em poucos dias, o deputado apresentou sucessivas versões do parecer, em um vai e vem marcado por recuos forçados — como as tentativas de esvaziar as atribuições da Polícia Federal no combate a facções e de equiparar a atuação de grupos criminosos a atos de terrorismo, por exemplo. Criticado por governistas, imprensa, autoridades da segurança, especialistas e mesmo aliados, recuou e acabou compondo uma versão de consenso com o governo federal.
Dessa forma, a construção da candidatura de Derrite ao Senado evidenciou uma significativa capacidade de blindagem política diante de crises operacionais e institucionais em sua gestão frente à segurança pública de São Paulo, assim como em relação à sua atuação recente na Câmara dos Deputados.
A vitória nas urnas consagra assim um movimento de ascensão política contínua do político de direita que vem desde 2018. Aos 42 anos, Guilherme Derrite chega ao Senado Federal investido para mais um mandato de oito anos como o mais votado.
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