
O Brasil passou a oferecer em sua rede privada o Galleri, um exame de sangue capaz de detectar sinais de mais de 50 tipos de câncer antes mesmo do surgimento de sintomas. Desenvolvido pela empresa norte-americana GRAIL e comercializado no país pela Genesis Genomics, o teste utiliza a tecnologia de biópsia líquida para identificar fragmentos de DNA tumoral na circulação de pacientes adultos.
Como funciona a tecnologia de biópsia líquida utilizada nesse novo exame?
Diferente de uma biópsia comum, que retira um pedaço do tecido doente, o Galleri analisa o sangue em busca de rastros deixados pelas células. Ele foca em fragmentos de DNA que circulam livremente no organismo. Quando existe um tumor, esses fragmentos apresentam padrões químicos específicos, chamados de metilação, que funcionam como uma impressão digital da doença. O sistema identifica essa assinatura molecular e consegue apontar com precisão de qual órgão ou tecido aquele sinal provavelmente veio, ajudando o médico a saber exatamente onde investigar com exames de imagem tradicionais.
Qual é a diferença entre esse teste e os exames genéticos tradicionais?
É fundamental não confundir os dois. Os testes genéticos comuns avaliam a herança que recebemos de nossos pais para saber se temos uma predisposição, ou seja, um risco maior de ter câncer no futuro. Já o Galleri funciona como um rastreamento do presente: ele busca evidências de que a doença já pode estar se desenvolvendo no corpo naquele exato momento. Enquanto o genético olha para o que pode acontecer devido ao seu DNA herdado, este novo exame busca sinais moleculares ativos de tumores que já iniciaram seu crescimento, mesmo que ainda não tenham provocado nenhum mal-estar.
Um resultado positivo no teste confirma que o paciente está com câncer?
Não necessariamente. Um resultado positivo indica que foi encontrada uma assinatura molecular suspeita, mas isso não é um diagnóstico final. Na medicina, existe uma diferença entre rastreamento e diagnóstico. O teste funciona como um alerta precoce que deve obrigatoriamente levar a uma investigação mais profunda. Se o exame apontar algo, o médico solicitará procedimentos complementares, como tomografias, ressonâncias ou biópsias convencionais para confirmar a presença do tumor, determinar seu tamanho e avaliar a gravidade da situação antes de iniciar qualquer tipo de tratamento.
O novo exame de sangue substitui a mamografia ou a colonoscopia?
De forma alguma. O Galleri chega para ser um aliado, um complemento aos métodos de prevenção que já conhecemos e não para substituí-los. Exames como mamografia, Papanicolau e colonoscopia continuam sendo essenciais e obrigatórios conforme a orientação médica para cada idade e perfil de risco. A grande vantagem da nova tecnologia é cobrir lacunas, ajudando a identificar tumores que hoje não possuem métodos de rastreamento bem estabelecidos, como os de pâncreas, fígado e ovário, que costumam ser silenciosos e descobertos apenas em estágios muito avançados da doença.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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