A Polícia Federal iniciou nesta quarta-feira (14) uma reestruturação técnica nos relatórios que mencionam magistrados das cortes superiores no âmbito do caso Master. A medida atende a orientações do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, para garantir que os documentos tenham caráter exclusivamente informativo e neutro, evitando interpretações ou acusações contra autoridades com foro privilegiado.

Qual é o objetivo da Polícia Federal ao reestruturar esses relatórios?

A corporação busca ajustar a linguagem e a estrutura dos documentos para que eles cumpram uma função puramente descritiva. O objetivo central é remover qualquer argumento que possa sugerir a existência de uma investigação escondida ou opiniões policiais sobre a conduta de autoridades que possuem o chamado foro privilegiado — um direito que garante que ministros sejam julgados apenas por instâncias específicas. Ao fazer isso, a polícia limita-se a apresentar dados brutos, como datas de mensagens e registros de viagens, deixando a análise de possíveis irregularidades para o Judiciário e para o Ministério Público Federal.

Como as informações sobre os ministros serão apresentadas ao Supremo?

Seguindo a determinação de Edson Fachin, os nomes de seis ministros do STF e dois do Superior Tribunal de Justiça (STJ) serão tratados em documentos separados e individualizados. A polícia deve focar apenas no levantamento isento dos registros encontrados em aparelhos eletrônicos apreendidos, como celulares. Isso significa que os relatórios detalharão o conteúdo das mensagens, a identificação de quem conversava e o uso de siglas, mas sem fazer enquadramentos criminais ou julgamentos de valor sobre as pessoas citadas, garantindo que o material seja um inventário técnico e objetivo dos fatos apurados.

Quais magistrados já apareceram em relatórios anteriores vinculados ao caso?

Relatórios anteriores já trouxeram menções a ministros como Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e André Mendonça. No caso de Toffoli, os documentos apontavam encontros e conversas sobre empresas ligadas à sua família, o que o levou a deixar a relatoria do processo. Sobre Moraes, um relatório de mais de 200 páginas registrou supostas mensagens trocadas com o empresário Daniel Vorcaro entre 2023 e 2025. Já em relação a Mendonça, a polícia analisou critérios de suas decisões judiciais. Outros nomes, como Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques e um familiar de Luiz Fux, também surgiram de forma direta ou indireta nas análises.