O ex-presidente Michel Temer declarou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, utilizando o termo “reconexão” para descrever a relação do candidato com as instituições. O movimento levantou discussões nos bastidores da direita sobre uma possível aproximação com o Supremo Tribunal Federal, visando pacificar as tensões institucionais no país.

Qual é o papel de Michel Temer nessa aproximação entre Flávio Bolsonaro e o Supremo?

Michel Temer atua como um mediador de prestígio devido ao seu histórico político e jurídico. Ele foi o responsável pela indicação de Alexandre de Moraes ao STF em 2017 e mantém canais abertos de diálogo com diversos ministros da Corte. Recentemente, ele confirmou ter aconselhado Moraes a buscar soluções negociadas em crises internas do Judiciário. Ao declarar apoio a Flávio, Temer é visto como uma ponte capaz de costurar um diálogo menos conflituoso entre um eventual governo da família Bolsonaro e os magistrados, embora a campanha oficial negue qualquer tipo de acerto prévio.

Como a campanha de Flávio Bolsonaro reage às suspeitas de um acordo político?

O comando da campanha, liderado pelo senador Rogério Marinho, nega veementemente qualquer negociação para salvar ministros de processos de impeachment. Marinho classificou as suspeitas como informações falsas e atribuiu a propagação desses boatos ao PT, alegando que o partido adversário tenta desviar o foco da vantagem eleitoral obtida por Flávio no primeiro turno. Segundo os articuladores do PL, o compromisso com o eleitorado de direita permanece intacto, e a discussão sobre impeachment de magistrados, especialmente de Alexandre de Moraes, não seria um ponto negociável.

Por que a situação de Alexandre de Moraes no Senado é considerada delicada?

A composição do Senado a partir das últimas eleições indica que a direita terá força suficiente para pautar processos de impeachment contra ministros do STF. Cálculos apontam que o bloco direitista deve somar pelo menos 49 dos 54 votos necessários para abrir tais processos. Como muitos senadores foram eleitos com a promessa explícita de fiscalizar o Judiciário, existe uma pressão popular imensa sobre Flávio Bolsonaro para que ele não barre essas iniciativas. É nesse contexto que o termo “reconexão” usado por Temer ganha peso, sugerindo uma tentativa de aliviar essa pressão.