
É impressionante o populismo eleitoral do governo Lula durante esta campanha. Somente em 2026, aproximadamente R$ 250 bilhões foram gastos para a expansão do consumo, auxílios governamentais e programas de renegociação de dívida. Como se não bastasse a torneira aberta do gasto público, o governo concedeu um aumento do Bolsa Família em pleno ano eleitoral, ferindo claramente a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), ao não garantir uma fonte permanente de receita a fim de custear o reajuste.
No cardápio do populismo, entra também a PEC do fim da escala 6 por 1. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, coincidentemente colocou a matéria em votação às vésperas do 2º turno. Com a aprovação da PEC, o objetivo é ajudar a eleger o presidente Lula e garantir o comando do Czar do Amapá na presidência da Casa Alta.
Pouco importam as consequências dessa medida, como elevação do desemprego, aumento da informalidade, escassez de mão de obra e alta dos preços das mercadorias, conforme alertado na coluna “O que ninguém fala sobre o fim da escala 6 x 1”. A ideia é vender que a população vai trabalhar menos e ganhar o mesmo salário, sem sofrer nenhum efeito da mudança de incentivos dos agentes econômicos.
Depois da elevação brutal do gasto, do aumento ilegal do Bolsa Família e da alteração das relações de trabalho, sem a devida discussão com a sociedade, vem agora o perdão de dívidas tributárias dos microempreendedores individuais.
A proposta é um escândalo por duas razões. A primeira é o rombo nas contas públicas. Com o perdão do passivo tributário, o governo deixa de arrecadar R$ 12 bilhões. A segunda é mais preocupante: é o incentivo ao calote.
Se a pessoa sabe que o governo vai perdoar o insolvente, então por que pagar impostos em dia? No atual momento, o bom pagador deve estar se sentindo um trouxa, justamente sabendo que não ter pagado impostos em dia era uma opção financeiramente melhor. O perdão de dívidas é um caso clássico, em finanças, de moral hazard, no qual se cria um incentivo econômico perverso — nesse caso, o calote.
Esse é um dos motivos pelos quais a taxa de juros é tão elevada no Brasil. Como a inadimplência no Brasil é muito elevada, os bancos compensam esse risco com altas taxas de juros. Não se trata de ganância, mas de pura lógica econômica. Quanto maior o risco, maior a taxa de juros. Para piorar a situação, a Justiça brasileira é pró-devedor, trazendo impactos altistas na taxa de juros.
Lula, com sua lógica populista, destrói fundamentos econômicos para tentar ganhar as eleições. Nada pelo país, tudo pela permanência no poder
Descontrole fiscal e alta inadimplência — incentivada pelo governo (Desenrola, perdão de dívidas) e chancelada pela Justiça — são as principais causas das elevadas taxas de juros no Brasil, penalizando o consumo das famílias e o investimento das empresas.
Mas essas questões estruturais não entram na lógica populista. É mais fácil expandir brutalmente o gasto público, perdoar dívidas e depois culpar o Banco Central por todas as desgraças causadas pelas medidas tomadas pelo próprio governo federal.
Lula, com sua lógica populista, destrói fundamentos econômicos para tentar ganhar as eleições. Nada pelo país, tudo pela permanência no poder.

















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