A Polícia Federal apura se o ex-banqueiro Daniel Vorcaro comandava uma estrutura de cafetinagem e tráfico de pessoas para atrair autoridades em eventos luxuosos. As investigações indicam o uso de agências de modelos de fachada para recrutar mulheres, incluindo refugiadas de guerra da Ucrânia e da Rússia, que eram mantidas sob rígido controle e proibidas de utilizar celulares durante as festas.

Como funcionava o esquema das supostas agências de modelos?

A investigação aponta que a estrutura começou a ser desenhada no final de 2023, quando Daniel Vorcaro teria adquirido 50% de uma empresa de agenciamento de modelos por R$ 1,5 milhão. Na prática, essa agência serviria como uma fachada para recrutar mulheres sem levantar suspeitas. O grupo era organizado em times: a ‘Famiglia A’ atendia diretamente o ex-banqueiro, enquanto o grupo ‘B’ era levado a eventos maiores para cooptar autoridades. Mensagens interceptadas revelam que o financiamento vinha do ecossistema financeiro do Banco Master, com repasses milionários para a rede.

Qual era o papel de Daniel Vorcaro na gestão desse grupo?

As mensagens extraídas pela Polícia Federal sugerem que Daniel Vorcaro era o tomador final de decisões, atuando como um ‘sócio oculto’. Ele decidia quem entrava e quem saía do grupo, autorizava o valor dos pagamentos e até ordenava ‘seleções’ de novas mulheres em diferentes regiões do Brasil e no exterior. Intermediários, como promotores de eventos e donos de empresas de logística, executavam as ordens, mas afirmavam explicitamente que ninguém recebia valores sem a ordem direta do chefe. O ex-banqueiro também escolhia quais estrangeiras deveriam permanecer ou ser enviadas embora.

Como as mulheres eram tratadas e quais eram as regras das festas?

Nos diálogos analisados, as mulheres eram frequentemente chamadas por termos degradantes como ‘escravas’ e ‘kengas’. O esquema impunha regras rígidas para garantir o anonimato dos frequentadores: os celulares de todas as contratadas eram recolhidos antes dos eventos. Havia uma preferência por estrangeiras que não compreendessem o português, dificultando o vazamento de informações sobre o que ocorria nos encontros. Algumas jovens eram identificadas como pertencentes a um grupo chamado ‘creche’, termo usado para se referir às mais novas, enquanto os homens contratados eram chamados de ‘macacos’.