Muitas surpresas saíram das urnas, terminada a contagem de votos do primeiro turno nas eleições 2026. Uma delas era questão de tempo para acontecer: pela primeira vez na história, a Câmara dos Deputados terá entre seus membros um parlamentar eleito formalmente acusado de fazer parte de uma facção criminosa, o Primeiro Comando da Capital (PCC). 

Eleito deputado federal com 118.566 votos, o equivalente a 0,5% dos votos válidos no estado de São Paulo, Ney Santos (Republicanos) é identificado formalmente pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) como integrante do PCC, que ao lado do Comando Vermelho (CV) é a maior facção criminosa do país. 

O político e os advogados dele negam a acusação do MP-SP de envolvimento com qualquer organização criminosa — ele sempre apontou falta de provas e perseguição por parte da Polícia Civil e do MP. Procurada pela reportagem da Gazeta do Povo, a defesa de Santos não foi localizada para comentar a eleição do cliente e as acusações do Ministério Público contra ele — Santos segue réu; não é condenado nem absolvido pelas acusações de envolvimento com a facção criminosa paulista. 

No entanto, na semana passada, o deputado federal eleito foi absolvido em um dos processos nos quais era acusado. O político enfrentava uma acusação sobre ter ajudado a adulterar o número de uma arma de fogo, da qual havia sido condenado em primeira instância, mas o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) reverteu a decisão. Anteriormente, Ney Santos havia sido condenado por formação de quadrilha e ficou dois anos preso por roubo a banco.