A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi sorteado para relatar um novo inquérito contra o senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL). A Polícia Federal investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e o advogado Willer Tomaz, o que eleva a tensão política na reta final do pleito.

O que a Polícia Federal busca esclarecer nesta nova investigação?

A apuração começou no Rio Grande do Sul e foca em possíveis crimes financeiros ligados a plataformas de pagamentos e sites de apostas, as famosas ‘bets’. O advogado Willer Tomaz é suspeito de usar empresas de apostas legalizadas para lavar dinheiro de origens ainda desconhecidas. Durante buscas, a PF encontrou arquivos que sugerem uma ligação financeira com Flávio Bolsonaro. Entre os documentos, destaca-se um e-mail de 2025 onde uma funcionária de Tomaz pede a retirada do nome do senador de uma conta bancária no exterior, além de registros de viagens internacionais pagas por empresas do advogado para a família do parlamentar.

Por que o caso subiu para o STF e caiu com o ministro Moraes?

Como Flávio Bolsonaro ocupa o cargo de senador, ele possui o chamado foro privilegiado. Isso significa que, assim que a Polícia Federal encontrou indícios que poderiam envolver o parlamentar, o processo precisou ser enviado obrigatoriamente para o Supremo Tribunal Federal, que é a única instância autorizada a investigar congressistas. A escolha do ministro Alexandre de Moraes como relator ocorreu por meio de um sorteio eletrônico padrão da Corte. No entanto, o fato de Moraes já conduzir outros processos sensíveis contra o grupo político de Flávio gera fortes discussões sobre o impacto institucional da decisão.

Como a defesa e os adversários reagiram à abertura do inquérito?

A defesa de Flávio Bolsonaro nega categoricamente qualquer irregularidade, afirmando que a relação com Willer Tomaz é apenas de amizade e que nunca houve compartilhamento de contas bancárias ou benefícios financeiros ilícitos. Por outro lado, o presidente e adversário Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a divulgação do caso para lançar um desafio público: propôs que ambos abram seus sigilos telefônico e bancário. Críticos do governo e aliados do senador questionam a proximidade da divulgação da investigação com o debate presidencial e o dia da votação, sugerindo que o processo pode estar sendo explorado politicamente.