As cooperativas agroindustriais do Brasil estão expandindo seus negócios para além da China, focando em mercados emergentes como Filipinas, Índia e Indonésia. Em 2025, o setor movimentou US$ 17,4 bilhões em exportações globais. O movimento busca diversificar os destinos internacionais e aumentar o lucro dos cooperados através da venda de produtos com maior processamento industrial e valor.

Quais são os países que ganharam destaque nas exportações das cooperativas?

Além da China, que continua sendo um parceiro comercial gigante e essencial por causa de sua enorme demanda, as Filipinas, a Índia e a Indonésia surgem como os novos alvos principais. As Filipinas se tornaram o maior comprador de carne suína brasileira em 2025, com um crescimento expressivo também no frango. Já na Índia, o destaque absoluto é o algodão, cujas vendas multiplicaram por 40 em apenas dois anos. Na Indonésia, há uma procura crescente por café e ingredientes para a indústria de alimentos. Essa diversificação ajuda a proteger as cooperativas contra crises em um único país.

O que significa o desafio de agregar valor aos produtos exportados?

Agregar valor significa deixar de vender apenas a matéria-prima bruta (como o grão de soja ou o café verde) para vender produtos que passaram por transformações na indústria (como carnes processadas, óleos ou cafés especiais torrados). É como vender o pão em vez de vender apenas o trigo; o produto final vale muito mais. Em 2025, quase metade dos bens exportados por cooperativas apoiadas pela ApexBrasil já tinha algum grau de processamento industrial. O objetivo estratégico agora é criar marcas próprias e adaptar os produtos para os gostos e exigências de cada cultura local.

Quais são os principais obstáculos para conquistar esses novos clientes na Ásia?

Os desafios são variados e vão desde a logística, devido à grande distância geográfica que encarece o transporte, até barreiras culturais e sanitárias. Na Indonésia, por exemplo, é necessário obter a certificação halal, que garante que o alimento foi preparado seguindo as leis islâmicas. Além disso, cada país tem suas próprias taxas de importação (tarifas) e regras de segurança alimentar. Para superar isso, o Brasil depende de negociações entre governos para criar acordos comerciais que reduzam esses impostos e tragam mais previsibilidade para os embarques de mercadorias ao longo do tempo.