Se eleito para a Presidência, Flávio Bolsonaro (PL) prometeu aos eleitores subir a rampa do Palácio do Planalto ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso desde o ano passado para cumprir a pena de 27 anos na condenação por tentativa de golpe. Mas antes mesmo de Flávio tomar posse, em caso de vitória, é possível que o Supremo Tribunal Federal (STF) anule a sentença contra Bolsonaro num processo de revisão criminal, apresentado pela defesa neste ano e praticamente pronto para julgamento.

O relator, Kassio Nunes Marques, já sinalizou que pretende liberar o processo para a pauta após o segundo turno da eleição. Com isso, caberá ao presidente do STF, Edson Fachin, marcar data para a análise da ação no plenário, formado hoje por 10 ministros.

Desde o primeiro turno da eleição, ministros da ala política do STF têm buscado negociar uma saída para evitar um provável conflito institucional com o Congresso, a partir de 2027, ante a perspectiva de que o Senado, que terá maioria de direita, inicie um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes.

Esse grupo resiste à pressão e tem buscado indicar a Flávio, a interlocutores no PL e no Centrão alternativas, como uma reforma no STF que reduza o poder de cada ministro interferir em políticas do Executivo ou em matérias do Legislativo em decisões monocráticas. Nos bastidores, a possibilidade de revisão criminal de Bolsonaro surgiu como outra concessão, como meio de apaziguamento com Flávio e a direita.