Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) articulam uma possível revisão criminal da sentença de Jair Bolsonaro como estratégia de apaziguamento político. O movimento ocorre em Brasília, nesta quarta-feira (21), diante do favoritismo de Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais e da formação de um novo Senado com maioria de direita, que ameaça abrir processos de impeachment contra magistrados.

Como funciona o processo de revisão criminal que pode beneficiar Bolsonaro?

A revisão criminal é um recurso jurídico especial usado quando a defesa acredita que houve um erro grave na Justiça em um caso que já não aceita mais recursos comuns. É como um pedido para reabrir o processo e corrigir falhas. No caso de Bolsonaro, o relator Kassio Nunes Marques deve liberar a ação para julgamento em breve. O tribunal pode decidir anular a sentença, absolver o acusado ou diminuir a pena. O objetivo da defesa é demonstrar que houve problemas processuais ou que as leis foram aplicadas de forma errada, buscando extinguir a punição de 27 anos de prisão imposta anteriormente.

Por que o STF considera essa revisão como um gesto de pacificação política?

Parte dos ministros vê na anulação da condenação um aceno importante a Flávio Bolsonaro, que lidera as intenções de voto. A ideia é evitar um choque direto com o novo Congresso a partir de 2027. O Senado terá muitos parlamentares de direita interessados em afastar ministros como Alexandre de Moraes. Ao rever a situação de Bolsonaro, o STF tenta negociar uma convivência mais harmônica, evitando que o futuro governo e os senadores foquem em medidas extremas contra a Corte. É uma tentativa de trocar uma concessão judicial por estabilidade institucional e proteção aos próprios magistrados.

Quais são os principais argumentos usados pela defesa para anular a sentença?

Os advogados apontam seis falhas fundamentais. Primeiro, dizem que Bolsonaro deveria ter sido julgado pelo grupo completo de ministros (plenário) e não por uma turma menor. Alegam também que recursos foram negados injustamente e que a delação premiada do coronel Mauro Cid não foi voluntária, mas forçada. Além disso, a defesa sustenta que Bolsonaro não usou violência ou ameaça real e que ele estava nos Estados Unidos durante as invasões de 8 de janeiro, o que impediria sua liderança direta no ato. Para os advogados, não houve crime de golpe, mas sim uma interpretação exagerada da lei penal.