“Como creres que é verdade que te peçam que denuncies teus pais, ou o esposo ou a esposa, ou os amigos? Como creres que é verdade que podes juntar muitos homens uns ao lado dos outros e que podes colocá-los a urrar em coro algo em que nenhum deles crê? Como creres que uma comunidade humana pode funcionar, pondo como chefes cretinos e analfabetos e afastando os competentes?” (Gabriel Liiceanu, Do Ódio)

Em 2014, Marina Silva, que havia sido ministra do Meio Ambiente no governo Lula e militado por mais de duas décadas no PT, tornou-se alvo de uma das mais duras campanhas de ataques do antigo partido ao disputar a Presidência pelo PSB, após a morte de Eduardo Campos. A campanha de Dilma Rousseff procurou associá-la aos banqueiros, insinuou que suas propostas ameaçavam programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida e explorou o risco de instabilidade política caso fosse eleita. O senador petista Humberto Costa chegou a chamá-la de “FHC de saias”, enquanto Dilma afirmou que o programa de Marina poderia “desmontar o Brasil”. Lula também atacou suas posições sobre o pré-sal. Marina, que durante anos havia sido aliada de Lula, chegou a chorar publicamente ao falar das críticas do antigo companheiro político.

Quase dez anos depois, a mesma Marina Silva, masoquisticamente, assumiu como ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima do terceiro governo Lula, para ver, sob sua gestão, a Amazônia queimar como nunca antes. Em 2026, deixou o governo para disputar uma vaga no Senado e não conseguir se eleger, ficando atrás de Guilherme Derrite, André do Prado e Simone Tebet. Como diz o ditado, “quem não tem vergonha não tem honra”.

Para o petismo, a possibilidade de ser um artista e não querer se envolver em política é considerada um crime passível de pena capital