A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) escalou nesta quinta-feira (22) o ex-procurador da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol (Novo-PR), para analisar documentos relativos aos sigilos bancário, fiscal e telefônico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de familiares e de pessoas próximas ao petista. A equipe pretende examinar os registros para identificar possíveis inconsistências nas informações apresentadas pelo petista às vésperas do segundo turno da eleição presidencial.
Dallagnol foi escolhido por sua experiência nas investigações da Lava Jato, que também envolveram o filho de Lula, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”, e as próprias relações do presidente com aliados e empreiteiras envolvidas. Segundo a campanha de Flávio, o ex-procurador deverá analisar “cada extrato e relatório para desconstruir a narrativa petista e rastrear inconsistências”.
Durante uma entrevista coletiva no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no final da manhã, Dallagnol afirmou que pretende se debruçar principalmente nos dados financeiros de Lula apurados durante seu período como chefe da Lava Jato.
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Equipe de Flávio diz que verificará sigilos de Lula antes de abrir os do senador
O objetivo, segundo também disse a jornalistas, será focar nas descobertas feitas pela força-tarefa naquele período como uma oportunidade de “resgatarmos a Lava Jato”.
“Da última vez que analisei os sigilos de Lula ele foi parar na cadeia. […] Vou analisar a completitude dos documentos dele, de seus parentes e de empresas relacionadas a ele, que já foram objetos da Lava Jato”, disse.
A equipe de Flávio Bolsonaro afirmou que a divulgação de documentos de Lula e pessoas próximas terá uma verificação criteriosa das informações. A campanha do petista aceitou as 19 condições apresentadas pelo adversário e se diz disposta a avançar com a abertura dos dados.
“A campanha de Flávio Bolsonaro defende que a sociedade brasileira tenha acesso à verdade e que nenhuma promessa de transparência seja tratada como prova antes de uma análise criteriosa dos fatos”, declarou.
Sigilos em jogo
A disputa começou durante o debate presidencial da Band, no último domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a abrir seus sigilos. O senador aceitou a proposta e ampliou a cobrança para incluir familiares, assessores e pessoas próximas ao presidente, levando as duas campanhas a apresentar exigências sobre o alcance e o período da análise.
A proposta inicial de Lula previa a abertura e a divulgação pública de informações bancárias, fiscais e telefônicas dos últimos oito anos, incluindo dados de familiares. O pedido também abrange a empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., apontada na documentação como a única pessoa jurídica da qual o presidente é sócio.
Em contrapartida, Lula cobra que Flávio e seus familiares também tenham os sigilos bancário, fiscal e telefônico examinados pelo mesmo período. A campanha petista exige ainda informações sobre empresas ligadas ao senador e sobre a offshore Alcazar Holdings, registrada na Ilha da Madeira e associada ao advogado Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal.
A equipe de Flávio, por sua vez, ampliou o período de análise relativo a Lula e pessoas próximas para 2003, em vez de restringi-lo aos últimos oito anos. Entre os nomes e entidades incluídos estão Lulinha, sua mulher, Renata de Abreu Moreira, o Instituto Lula, o ex-presidente da entidade Paulo Okamotto e assessores que utilizavam linhas telefônicas para atender ao presidente.
A lista de exigências do senador também inclui registros de visitantes, reuniões e voos relacionados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, além de informações sobre encontros com Lula e acessos aos palácios presidenciais. Flávio solicita ainda a divulgação integral dos gastos do cartão corporativo da Presidência desde janeiro de 2023, da agenda de Janja anterior a fevereiro de 2025 e de registros de visitas de familiares do presidente ao Palácio da Alvorada.
Outros nomes e entidades mencionados são o ex-ministro Guido Mantega, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico e irmão de Lula, e o sindicato Sindnapi. A campanha petista classificou as exigências do adversário como uma tentativa de manobra e questionou a ausência da Alcazar Holdings na documentação apresentada por Flávio ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A defesa do senador afirma que ele não é sócio, administrador nem beneficiário da holding e usa esse argumento para justificar a não apresentação de seus extratos bancários relacionados à empresa. A Polícia Federal, porém, indicou que Flávio seria “usuário master” de uma conta bancária da Alcazar Holdings, juntamente com Willer Tomaz, ponto que permanece no centro da controvérsia sobre a abrangência da abertura de dados.

















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