No amplo gabinete do Ministério da Segurança Pública, em San Salvador, Gustavo Villatoro veste uma camisa preta com a bandeira de El Salvador no braço direito e a inscrição “Deus, União, Liberdade”. Atrás dele, prateleiras sóbrias; à frente, equipamentos de segurança expostos como peças de um pequeno museu, um ambiente de baixa ostentação. Fora dali, nos dias anteriores, motoristas de aplicativo, funcionários de hotel e frequentadores do shopping em San Benito repetiam a mesma frase quando eu perguntava como se sentiam no país: “Eu me sinto livre.”

Villatoro é o ministro da Justiça e Segurança Pública de Nayib Bukele. e um dos homens de confiança do presidente. E há motivos de sobra para tal. El Salvador passou de mais de 100 homicídios por 100 mil habitantes em 2015 para 1,3 em 2025. As gangues que controlavam territórios, extorquiam moradores e impunham fronteiras invisíveis foram desmontadas.

A queda não resultou de mudança na polícia ou no Exército, mas de uma decisão política. O ministro descreve o que existia antes como um Estado criminoso paralelo que detinha o monopólio do homicídio. A resposta, diz ele, foi enfrentá-lo.

As críticas de organizações de direitos humanos às prisões em massa e às condições carcerárias são respondidas com os números de apoio popular — na casa dos 90% — e com a afirmação de que a segurança não é uma meta, mas um estado que precisa ser permanentemente mantido.