Lula parece realmente disposto a transformar a presidência da República em um projeto sem prazo de validade. Aos 81 anos que terá após as eleições de 2026, poderá estabelecer um recorde mundial de longevidade entre presidentes escolhidos pelo voto em democracias presidencialistas, caso seja eleito. Depois de mais de duas décadas desde sua primeira vitória eleitoral, o petista parece não considerar a possibilidade de que o poder também exige saber a hora de deixá-lo. 

A situação não encontra paralelo em nenhum outro país com regime presidencialista democrático consolidado, e irá marcar o início do fim da carreira política do petista – que poderá ser antecipado se ele perder para Flávio Bolsonaro. 

Há algo de sintomático nessa insistência. Em vez de preparar a renovação de seu campo político, Lula aposta mais uma vez na própria figura, como se não houvesse sucessor à altura ou como se o país ainda dependesse de sua presença para seguir em frente. A ambição de continuar no cargo, porém, não suspende o relógio biológico — nem deveria se sobrepor à necessidade de renovação política. 

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