O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desafiou o senador Flávio Bolsonaro (PL) a abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico dele e de seus familiares, mas o próprio governo mantém sob sigilo cerca de R$ 83 milhões em despesas do cartão corporativo da Presidência da República e acumula 22.474 pedidos de acesso à informação classificados como negados desde 2023. Os dados contrastam com o discurso de transparência adotado pelo petista na reta final da campanha eleitoral.

Nesta terça-feira (20), Lula protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um documento autorizando a divulgação de seus dados bancários, fiscais e telefônicos, assim como os da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, e de seus cinco filhos, referentes aos últimos oito anos. A iniciativa formaliza o desafio feito a Flávio durante o debate da Band, no domingo (18), quando o presidente afirmou que abriria seus dados caso o adversário fizesse o mesmo.

Flávio Bolsonaro se manifestou sobre o desafio de Lula nesta quarta-feira (21) ao afirmar que aceita abrir os seus sigilos se o petista abrir os de seu ex-assessor Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e os da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja.

Na petição protocolada na Justiça Eleitoral, Flávio autorizou o acesso às próprias informações dos últimos 20 anos, mas estabeleceu exigências para que a medida também alcance o presidente e pessoas próximas a ele.