A classe política brasileira, incluindo os três poderes da República, não se deu conta da encrenca contratada para 2027. Os desafios vêm tanto por fatores internos como pelo cenário externo, exigindo que o país aprove reformas estruturais, não apenas para alcançar o desenvolvimento, mas para sobreviver a um mundo mais turbulento.

No cenário internacional, desde o pós-pandemia, a inflação se tornou mais resiliente (“grudenta”) em diversas partes do globo, principalmente nos EUA. Os efeitos da “economia a gente vê depois” durante a pandemia cobram o seu preço até hoje.

Além da dinâmica inflacionária pós-pandemia, as guerras entre Rússia e Ucrânia e entre EUA e Irã sustentam o preço do petróleo acima de US$ 100, sem perspectiva de ceder no curto prazo, uma vez que esses conflitos estão longe de caminharem para uma resolução final.

Sem a convergência da inflação para a meta, o Banco Central dos EUA (Fed) aumentou a taxa básica de juros, com perspectiva de mais elevações ainda neste ano. Juros mais elevados nos EUA trazem pressão no dólar por aqui, aumentando o risco inflacionário, o que dificulta uma redução mais expressiva da taxa Selic.