A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que barre o registro de candidatura de Márcio Canella (União), eleito deputado estadual mais votado no Rio de Janeiro. Em parecer, emitido nesta sexta-feira (23), o Ministério Público apontou que o parlamentar nomeou líderes da milícia para cargos de primeiro escalão na Prefeitura de Belford Roxo. A PGE lembrou ainda que Canella é investigado por integrar uma organização criminosa armada.

Para o vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa, o fato de não haver condenação criminal contra Canella não impede o reconhecimento do impedimento quanto ao registro de candidatura do deputado eleito. Segundo o procurador, basta que o conjunto probatório seja “suficientemente robusto” para demonstrar o vínculo do candidato com os milicianos.

“É possível afirmar a existência de elementos seguros e convergentes que demonstram não apenas a infiltração de lideranças milicianas na administração pública por intermédio do candidato, como também o apoio eleitoral ostensivo por elas prestado à sua campanha e a sua atuação destacada como articulador de organização criminosa armada”, destacou o vice-procurador-geral eleitoral.

No parecer, Barbosa reforçou que a Constituição veda que “partidos políticos se utilizem de organização paramilitar sob nenhuma forma ou sob nenhum pretexto”. Ele ainda lembrou que o TSE já barrou outras candidaturas de membros de organizações criminosas para impedir a infiltração e a interferência desses grupos nas eleições e no Estado.