O quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem estreou e já enfrenta o mais forte choque de desconfiança da história. A bolsa brasileira despencou 13,88% e o dólar saltou 8,21%, a R$ 5,40, na segunda-feira (26). Perdas com a aposta em Flávio Bolsonaro (PL) explicam parte do tombo histórico. Mas o que sobressai mesmo é o pavor fiscal e a cobrança desesperada por mudanças.

O cenário macroeconômico perigoso e a postura irresponsável do chefe do Executivo, que ganhou novo mandato a despeito de seus erros, fazem com que analistas e investidores comparem o momento político do país ao trazido pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) na década passada, com a urgência de administrar desequilíbrios acumulados pelo próprio governo.

Em 2015, a inflação de 10,67% e a recessão corroeram a renda e o apoio político de Dilma. O ajuste tardio da gestão petista não recuperou a confiança nem impediu o agravamento da crise. A diferença é que Lula enfrentará um Congresso mais conservador, com capacidade de bloquear a sua agenda. O tenso conflito entre a direita e o Supremo Tribunal Federal (STF) adiciona tensão institucional.

O atual quadro tira margem para improvisos. O “kit impeachment”, formado pelo tripé crise econômica, isolamento parlamentar e mobilização nas ruas, parece estar em marcha. Até mesmo suspeitas de “pedaladas fiscais” já circulam nos bastidores. Restará conferir se a insatisfação popular ganharia forma de protestos públicos, a exemplo das crises de 1992 e 2016.