Depois da Segunda Guerra Mundial, o mundo ocidental passou a relativizar, de maneira romantizada, leis econômicas fundamentais que jamais deveriam ter sido colocadas à prova. Sob a promessa de construir sociedades mais justas, igualitárias e protegidas das incertezas da vida, governos e Estados passaram a tratar como obstáculos políticos aquilo que, na realidade, são características invariáveis da ação humana.

Entre essas leis estão a Lei da Preferência Temporal e a Lei da Utilidade Marginal, princípios consolidados da teoria econômica cuja validade não depende da vontade dos governantes, das ideologias dominantes ou das boas intenções de quem pretende organizar a sociedade. O problema começa justamente quando alguém reconhece uma lei econômica, mas acrescenta um perigoso “mas”. É nesse “mas” que o populismo encontra espaço para transformar promessas impossíveis em políticas públicas e transferir a conta para as gerações seguintes.

Ninguém sensato relativiza a lei da gravidade. Se uma pessoa se lançar do décimo quinto andar, não será a sua convicção política, a sua condição social ou a sua necessidade financeira que impedirá a queda. Nas ciências naturais, compreendemos que os fenômenos obedecem a relações de causa e consequência. Nas ciências sociais, entretanto, especialmente na praxeologia, que estuda a ação humana, e na cataláxia, que examina a ordem de mercado formada pelas trocas voluntárias, políticos frequentemente agem como se as leis econômicas pudessem ser suspensas por decreto.

Acreditam que é possível distribuir riqueza sem considerar sua origem, ampliar direitos sem avaliar seus custos e prometer prosperidade sem preservar os incentivos necessários para produzi-la. O Estado, nessa lógica, converte-se em uma máquina capaz de concentrar poder e transferir riqueza (para si), mas que pode empobrecer justamente aqueles que pretende proteger.