O mercado brasileiro de veículos elétricos enfrenta um cenário de contradição neste fim de 2026. Apesar do forte interesse dos consumidores, os emplacamentos de modelos movidos a bateria registraram uma queda de 18,1% em setembro. Esse recuo é impulsionado pela dificuldade de transporte marítimo vindo da China e pelas taxas de juros elevadas no Brasil, que dificultam o acesso ao crédito.

Quais motivos explicam a queda recente nas vendas de veículos elétricos?

A redução nos emplacamentos em setembro não reflete falta de interesse, mas sim problemas práticos de oferta e financiamento. Dois modelos populares, o Geely EX2 e o BYD Dolphin, foram os principais responsáveis pela queda nos números totais do segmento. A Geely confirmou que possui listas de reserva à espera de novas unidades, enquanto a BYD enfrentou uma demanda muito maior do que a projetada. Sem o peso negativo desses dois modelos específicos, o restante do mercado de carros elétricos a bateria teria apresentado um crescimento de 5,3% no mesmo período.

Como a taxa de juros no Brasil afeta quem deseja comprar um carro eletrificado?

O crédito caro é um dos maiores obstáculos atuais. Em agosto, a taxa média de juros para financiar veículos por pessoas físicas estava em quase 2% ao mês. Como o preço médio de um elétrico costuma ser mais alto do que o de um modelo a combustão, o valor financiado exige parcelas que muitas vezes não cabem no orçamento das famílias. Além disso, os bancos estão mais rigorosos, exigindo entradas maiores para evitar calotes. Ou seja, existe o desejo de compra, mas o ‘encarecimento do dinheiro’ impede que muitos brasileiros consigam fechar o negócio.

Por que a logística internacional está atrapalhando a chegada dos veículos?

Há uma insuficiência global de navios especializados para o transporte de automóveis. A explosão das exportações chinesas superou a capacidade das frotas marítimas, criando gargalos não apenas no Brasil, mas em lugares como a Nova Zelândia. Estima-se que faltem vagas para transportar entre 2 milhões e 4 milhões de veículos no mundo. No Brasil, a BYD tenta contornar isso ampliando sua fábrica em Camaçari, na Bahia, com a meta de produzir 25 mil unidades mensais até o fim de 2026, mas a demanda média brasileira já é superior a esse volume, mantendo a pressão.