
Para não dizerem que não falei de Copa, o presidente dos EUA Donald Trump cumprimentou, ainda no sábado, a equipe do New York Knicks pela vitória no torneio da Associação Americana de Basquete, a NBA. A equipe venceu por 94 a 90 o San Antonio Spurs. “Spur” é espora. E “Knicks” é uma referência àquela calça que os holandeses usavam amarrada embaixo do joelho. É o esporte favorito dos Estados Unidos. Nova Iorque parou; não foi por causa do jogo do Brasil do outro lado do rio Hudson, em Nova Jersey, mas por causa da vitória no basquete.
Em 1994, eu estava nos Estados Unidos. Acho que eu estava em alguma cidade das Montanhas Rochosas; sei que era perto do rio Colorado, pois estava descendo de Denver. Paramos bem na hora do jogo decisivo da Copa do Mundo, em que o Brasil sagrou-se tetracampeão contra a Itália. Foi zero a zero, e decidiram nos pênaltis. O Taffarel segurou um lá e ganhamos por 3 a 2. Romário foi um dos grandes nomes daquela Copa, além do Bebeto. Mas eu não conseguia entrar num bar, num restaurante ou numa lanchonete em que o jogo estivesse no telão. O que passava era um jogo de basquete que todo mundo estava vendo, exatamente no dia da final da Copa do Mundo nos Estados Unidos.
Fiquei tão agoniado com aquilo que entrei num hotel e pedi um quarto só para ver o jogo. Terminada a partida, fui embora. Paguei a diária, mas pelo menos compensou, porque o Brasil foi campeão sem fazer nenhum gol em 90 minutos.
Essa é a questão do americano. Essa decisão do basquete foi no Texas. Em 48 minutos – quatro tempos de 12 minutos –, eles vibraram muitas vezes, já que foram 184 pontos: 94 a 90. Enquanto isso, durante 90 minutos em Nova Jersey, foi um ponto de um lado e um ponto do outro. Ficou 1 a 1 entre Brasil e Marrocos. Só para mostrar as diferenças entre os esportes.
O risco do amadorismo e do “jeitinho” brasileiro
Nós estamos num país em que agora se descobre que se rouba até ponte. Houve o furto de uma ponte de ferro feita na Inglaterra. Ocorreu no município de Campos das Vertentes (MG), e a estrutura foi encontrada agora lá na Zona da Mata. Uma empresa a comprou por R$ 700 mil e disse que a adquiriu com nota fiscal, mesmo sendo uma ponte roubada.
Por falar em ponte, tivemos aquela tragédia em outra ponte de ferro, do tempo da Rede Ferroviária Federal, no interior de São Paulo, em Limeira. É a Ponte do Esqueleto, onde faziam aqueles saltos com corda. Jogaram uma estudante de educação física de 21 anos no ar e, simplesmente, esqueceram de prender a corda no equipamento da moça. Uma coisa terrível.
Com exceção do futebol, que é todo profissional e movimenta muito dinheiro, nós somos um país de amadores. Eu já vi fazerem esse tipo de salto no Chile e na África do Sul; lá, o equipamento é checado e rechecado por pessoas diferentes para garantir que está tudo ok antes do salto. Três pessoas estão na prisão por causa disso. Trata-se de um homicídio certamente culposo, mas que é fruto de um total amadorismo. É a pessoa que não aprendeu a fazer, mas se mete a fazer. É o famoso “jeitinho”. Dá-se um jeitinho sempre por aqui.
A falta de ordem nas instituições e o escândalo de Vorcaro
E, por falar em jeitinho, parece que o senador Davi Alcolumbre está envolvido também nos esquemas de Daniel Vorcaro. Vorcaro parece ter lido “Brasil para Principiantes”, de Peter Kellemen, pois chegou aqui e deu um golpe de R$ 6 bilhões enganando as pessoas – afinal, todo mundo gosta de um jeitinho. A capa da revista diz que Vorcaro pagou, no exterior, US$ 30 milhões para Alcolumbre. Isso dá mais ou menos R$ 150 milhões. Ele ganha da família do Moraes. E a revista conta também que, desde o governo de Jaques Wagner na Bahia, com aquele programa Credcesta – ampliado em 2022 por Rui Costa, que também era governador –, Vorcaro foi muito ajudado.
Parece a repetição da história narrada por Peter Kellemen. Ele era um médico húngaro que veio para cá e, na hora de tirar o visto para o Brasil, perguntaram se ele queria atuar como médico. Ele disse que sim, mas informaram que não havia vaga na área; disseram que, se ele declarasse ser agrônomo, poderia entrar. E assim ele entrou no país. É esse o Brasil em que vivemos.
Enquanto isso, o presidente Lula está lá no G7, convidado pelo presidente da França Emmanuel Macron, embora o Brasil não faça parte do grupo. Ele tinha dito que não iria. E como acabou indo, justificou a viagem dizendo que resolveu ir “porque alguém tem que botar ordem na casa”. Meu Deus, é aqui nas três casas – do Executivo, do Legislativo e do Judiciário – que se está precisando de ordem.
















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