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governo demonstra má vontade com produtores rurais

É preciso ter “responsabilidade fiscal”, disse o ministro Dario Durigan em uma entrevista ao jornalista José Luiz Datena durante a edição do programa Alô Alô Brasil. Ele condenou a aprovação do PL da Securitização no Senado Federal. A proposta permite o refinanciamento de dívidas de agricultores acossados pelas crises externas e pelos eventos climáticos. Segundo o governo, trata-se de uma das “pautas-bomba” em tramitação no Congresso Nacional. Ele ameaçou até a recorrer ao Supremo Tribunal Federal contra os interesses do agronegócio.

Impressiona, aliás, a conversão repentina de Durigan em um modelo de ministro fiscalista, planilheiro, zeloso pelo controle das contas públicas. O tom preocupado de agora não combina com sua conduta omissa quando o governo, poucos dias atrás, anunciou um programa de financiamento de R$ 30 bilhões para que motoristas de táxi e aplicativos comprem carros. Ou se é fiscalista com tudo, ou se é apenas hipócrita.

O agro não é um fosso sem fundo de custos, é um vetor de desenvolvimento. O mais importante do país. Todos seus números são superlativos e crescentes, ainda que passe por uma crise inédita

Ainda que muitas pautas de interesse tanto do governo quanto dos deputados e senadores sejam perigosas para o equilíbrio fiscal, não dá para enquadrar a que beneficia o agronegócio nessa categoria. Até porque tal equilíbrio está inequivocamente atrelado ao seu desempenho econômico. O agro não é um fosso sem fundo de custos, é um vetor de desenvolvimento. O mais importante do país. Todos seus números são superlativos e crescentes, ainda que passe por uma crise inédita.

Os produtores rurais brasileiros enfrentam uma tempestade perfeita. O preço das commodities está em baixa no mercado internacional, as guerras no Oriente Médio e no Leste Europeu dificultam a importação de insumos básicos como fertilizantes e combustíveis, o problema climático afeta a produtividade média e os juros altos asfixiam a tomada de crédito necessária para que o setor se mantenha competitivo.

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Ainda assim, no primeiro trimestre de 2026, o agro foi responsável por praticamente metade das exportações brasileiras, cumulando um saldo de U$ 70 bilhões até o mês de maio. Alguns poderão alegar que esse resultado comprovaria o contrário: de que não haveria necessidade de aprovar um refinanciamento tão abrangente. É uma leitura burra.

Apenas evidência a necessidade de se atender um setor estratégico para o Brasil, inclusive para suas pretensões geopolíticas. Se o que temos aqui é um exemplo de preconceito político, porque parte do agronegócio não tem simpatia por Lula, tanto pior. Uma escolha dessas está acima de paixões partidárias ou ideológicas. A má-vontade com os produtores rurais depõe contra os interesses nacionais.

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