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CNI projeta possível tarifa de até 37,5% em exportações aos EUA

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta segunda-feira (15) uma projeção indicando que, caso as novas tarifas propostas pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) entrem em vigor, 31,6% das exportações brasileiras para o país norte-americano terão uma alíquota de 37,5%. Isso representaria um aumento de 27,5 pontos percentuais em comparação à tarifa atual de 10%.

Outros 3,6% das exportações teriam um aumento de 10% para 12,5%, um acréscimo de 2,5 pontos percentuais. Caso as recomendações sejam implementadas, um total de 35,2% das exportações brasileiras para os Estados Unidos passará a estar sujeito às novas tarifas. Considerando também as medidas setoriais da Seção 232 já em vigor, a parcela das exportações brasileiras submetida a alguma taxação adicional poderia chegar a 54,1%.

As propostas, no entanto, não teriam efeito imediato, pois ainda dependem da realização de consulta pública e de audiências antes da decisão final.

EUA veem práticas comerciais desleais do Brasil

A retaliação comercial iminente pode ser aplicada porque os EUA enxergam “insegurança jurídica, ativismo judicial e intervencionismo estatal” no Brasil. De acordo com o governo Trump, o país distorce as práticas do livre mercado por meio de “censura digital, protecionismo tarifário, pirataria, desmatamento ilegal, impunidade em casos de corrupção e o Pix”.

A recomendação é de uma tarifa extra de 25% sobre os produtos brasileiros, após investigação baseada na chamada Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974. A medida pode ser aplicada a partir de 15 de julho de 2026.

Seção 301

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), órgão ligado à administração de Donald Trump, publicou um relatório recomendando a aplicação da tarifa sobre uma ampla gama de produtos importados do Brasil.

A Seção 301 é um mecanismo legal utilizado por Washington para retaliar países cujas práticas comerciais sejam consideradas injustificáveis, irracionais ou discriminatórias, e que sobrecarreguem ou restrinjam o comércio americano. Na visão do governo Trump, as políticas domésticas do Brasil ultrapassaram as fronteiras e prejudicam o capital e as empresas estrangeiras.

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