
Por causa de umas leituras e umas rasteiras da vida, tenho pensado muito no sucesso. Ou melhor, Sucesso. Esse demônio que, sorrateiramente, tem nos escravizado até mais do que Mamon. Não me refiro, aqui, ao sucesso santo, decorrente da nossa vocação para a excelência. Pelo contrário! Estou falando do sucesso que se conquista à custa dessa mesma vocação.
Esta é a grande calamidade do nosso tempo cheio de calamidades: a devoção a uma ideia deformada de sucesso. Um sucesso que se reflete em fama, dinheiro, poder e influência. E que, convenientemente, jamais para para (maldita reforma ortográfica!)(viu como às vezes o “pra” é necessário, Dani?) pensar no porquê e no paraquê disso. Afinal, assim nos ensinaram os professores e os intelectuais e os filmes e a publicidade e principalmente o Maquiavel de almanaque: a busca pelo sucesso justifica os meios para a obtenção desse mesmo sucesso.
Reizinho tirânico
Começando, pois, do básico do básico, aproveito este meu espaço para lhe perguntar: o que é o sucesso para você? É ter uma casa com aquelas portonas ridículas de 3m de altura? É ter 10MI seguidores no Instagram? Ou R$3 bi na conta bancária, talvez? É ser premiado, laureado, incensado? É ver prevalecer nas urnas sua visão de mundo? E aqui, antes que os pontos de interrogação se acumulem para além do razoável, serei taxativo: para o homem contemporâneo, ter sucesso é ser um reizinho tirânico de um universo particular.
Claro que a questão não se esgota em mais ou menos 300 palavras, mas o objetivo desta crônica provavelmente fracassada, em termos de audiência, não é esse. O objetivo desta crônica é plantar na cabeça do leitor a dúvida saudável (mas sofrida) quanto ao valor intrínseco do sucesso que buscamos com tanto afinco, sem nos perguntar por que ou para quê, e comumente atropelando valores e instrumentalizando as pessoas ao nosso redor. Taí a contradição última do meu fracasso: se conseguir te fazer pensar um pouquinho nisso, terei sido bem-sucedido.

















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