
A confirmação de um Super El Niño coloca o agronegócio brasileiro e os consumidores em alerta. O fenômeno climático atinge o país em um período de fragilidade econômica no campo, com potencial para elevar os preços dos alimentos e da energia elétrica em todo o território nacional.
O que caracteriza o fenômeno chamado de Super El Niño?
O El Niño é o aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico. Quando esse aquecimento supera os 2,0 °C, ele é classificado como ‘muito forte’ ou Super El Niño. Essa mudança altera o clima no mundo todo, provocando chuvas excessivas em algumas regiões e secas severas em outras, mudando completamente o ciclo natural de plantio e colheita.
Como o clima deve se comportar nas diferentes regiões do Brasil?
O país enfrentará uma divisão climática agressiva. No Sul, a previsão é de chuvas torrenciais e inundações que prejudicam a qualidade dos grãos. Já o Norte e o Nordeste devem sofrer com secas severas, reduzindo o nível dos rios. O Centro-Oeste, principal polo de produção de grãos, lidará com chuvas irregulares e períodos de calor intenso fora de época.
Por que o setor agrícola está mais vulnerável a esse evento agora?
O campo já enfrenta uma ‘tempestade econômica’ antes mesmo do clima piorar. Os produtores rurais lidam com dívidas altas, queda nos preços das mercadorias (commodities) e juros elevados que encarecem os empréstimos. Com margens de lucro apertadas, qualquer perda de safra causada pelo clima pode levar a um aumento recorde nos pedidos de recuperação judicial.
De que maneira a cidade sentirá os reflexos do que acontece no campo?
A crise chega ao consumidor através da inflação. Com a dificuldade na produção, alimentos como carne, hortaliças e grãos tendem a ficar mais caros nos supermercados. Além disso, a seca no Norte reduz o volume das represas das hidrelétricas, o que obriga o governo a usar usinas térmicas, que são mais caras e pesam diretamente na conta de luz dos brasileiros.
Quais são os principais riscos para a economia em 2026?
O mercado financeiro projeta que o fator climático pode elevar o IPCA (índice oficial de inflação) em até 0,8 ponto percentual, ficando acima da meta estabelecida. Esse cenário de preços altos em alimentos e energia cria um ciclo onde o Banco Central se vê obrigado a manter as taxas de juros elevadas por mais tempo para tentar controlar o custo de vida.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
VEJA TAMBÉM:
- El Niño caminha para ser o mais forte desde 1950 e deve deixar marcas no campo e na cidade
















Leave a Reply